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Em uma hora, os 7 pecados capitais desfilaram na minha frente... by SammyFreitas [crônica]

Quem me conhece bem sabe que se tem duas coisas que prezo muito no meu caráter, é o senso de justiça e honestidade. Junte isso ao fato de amar meus livros e ficar puta quando tentam passar por cima dos meus direitos... Aí meu amigo, deixo de ser uma pessoa cordata e me torno uma leoa rugidora. 

Todos os meus grandes amigos sabem que não precisa muito para me agradar. Um sorriso, um abraço, uma carta... Mesmo assim, não há nada como ganhar um livro. E saber que os amigos se preocuparam, perguntaram e fuxicaram meu face para saber o que tenho ou não, tentando evitar me presentear com um livro que eu já tenha. Acho lindo esse cuidado. 

Ainda assim, é fácil dois amigos me presentearem com o mesmo livro. Para evitar mal estar, não vou dizer qual o livro foi, assim, também preservo a identidade dos amigos que não ficarão chateados em saber que houve um estresse envolvendo um presente tão amado. 

Ganhei dois. Um... embrulhado com papel da Saraiva, porém sem o adesivo na bundinha do livro. O outro, embrulhado em papel da Nobel. O mais lógico seria ir à Saraiva. Uma livraria que é um mundo de felicidade para mim. Duas megastore tão pertinho! Uma no Barrashopping e a outra no Village Mall. Mas.... o diabo me tentou. E tendo eu uma Nobel no Downtown, mesmo sabendo ser uma livraria menor e com preços menos competitivos, o diabinho soprou no meu ouvido: "Vá na Nobel! Resolve tudo na hora do almoço e nem precisa descer no Barrashopping..."

Pois bem... cedi ao impulso, me vi caminhando para a Nobel já pensando em qual livro pegaria na troca...

Ao chegar na livraria, o vendedor, estava atendendo a um casal, com 4 ou 6 livros, valor superior a R$ 170. Ele me perguntou se podia ajudar. Naturalmente expliquei rapidamente a história, enquanto ele registrava os livros do casal:

"Ganhei dois livros repetidos, e estava querendo trocar um. Se algum dos livros que eu quiser for mais caro, não tenho problemas em pagar a diferença"

Nesse momento ele amarrou a cara. Passou a se dedicar exclusivamente ao cliente e disse: 

"Não trocamos livros pois somos uma franquia e não uma rede."

E eu até tentei argumentar: 

"Mas qual o sentido da franquia ser interligada se não temos o mesmo serviço e funcionamento em todas...."

Ele foi extremamente afetado. E em seguida, escroto. Palavras feias e preconceituosas, eu sei. Mesmo assim, mantive minha dignidade. Virei para o cliente e disse: "Cuidado, você está comprando esses livros, se precisar trocar, vai ter o mesmo problema..."

O vendedor praticamente espumou. Pegou o livro, consultou no sistema e disse que não tinham parceria com aquela editora. Só de passar os olhos em volta, achei uns 4 livros da mesma editora. Pedi então se ele poderia me dar uma carta informando que como franquia, a loja não efetuava trocas de outra loja. Ele também se recusou. E por último, pedi que ele chamasse a gerente... A resposta foi hors-concour: "Não vou trocar, não vou dar a carta e também não vou chamar a gerente"

Dessa vez, precisei mesmo de muita paciência para conter toda a minha irritação. Pensei que talvez, eu poderia vencê-lo pelo cansaço. Insisti que o livro era um lançamento e que ele poderia colocar ao lado dos títulos parecidos que eu DUVIDAVA que ele não vendesse dentro do mês.

Ele não ouvia. Estava tão preocupado em manter os antolhos no lugar que estava se lixando para a maneira como estava atendendo ao cliente. Olhei em volta, manjei todo o lugar e comecei as implicâncias quando um rapaz trouxe um MIOJO para pagar no caixa da livraria... Um miojo, eu juro! Dentro da Nobel, pois é...

E aí, destilei meu veneno...
Abro aqui um parêntese, para dizer que o diabinho no ombro, estava super feliz porque eu já tinha cedido a 3 dos pecados capitais e pelo andar da carruagem, passaria por todos! Tinha a PREGUIÇA em ir à Saraiva, IRA pelo tratamento e agora SOBERBA/ORGULHO...

"Vocês possuem alvará para vender MIOJO aqui?"

A essa altura, a dona da livraria já tinha vindo. Foi educada e gentil, explicou o posicionamento da rede franqueada e informou que faria a carta para que eu pudesse reclamar junto à matriz em SP. Não estava muito convencida, mas relativamente conformada. Então, por uma questão de honra, encasquetei que não sairia de lá, sem trocar o livro. 

Esperei o vendedor entrar e continuei conversando com a sócia-gerente. E fiz o que pude para tentar convencê-la, usando dos argumentos mais baixos... 

"A vigilância sanitária já vistoriou sua barraca de tapioca? Ela pode ser colocada dentro da livraria?" (eu dizia isso, mas cobiço demais aquelas tapiocas (INVEJA)! Já comi várias vezes e acho uma delícia! GULA!)

Diante de todos os 'excelentes' argumentos apresentados e um papo rolando sobre os títulos similares, por fim ela topou trocar, não sem antes avisar o valor - menor do que o que eu imaginava, mesmo assim, parti em busca de outros títulos. TODOS os livros da Nobel Downtown coincidentemente custavam mais do que a troca. Tudo bem... contei as moedinhas (AVAREZA) e optei pela troca por um dos mais baratos e que eu sabia estar na lista de desejados.

Nesse meio tempo, o vendedor voltou com a carta. E arregalou os olhos quando viu que a gerente abria uma exceção e trocava o livro para mim. Exclamou para ela: 

"Você vai TROCAR o livro?"

Quase deu um ataque de piti. Eu, ironicamente declarei:

"Não se preocupe, usarei a carta para reclamar em SP e dizer o quanto vocês foram gentis e atenciosos efetuando a troca, pena que você faltou com a verdade comigo"

O vendedor ficou pálido. Esticou o braço para frente fazendo um gesto de pare. E fez a atitude mais infantil e inesperada para um vendedor. Disse:

"Você está disse que estou mentindo... Está me chamando de mentiroso... Depois dessa, parei contigo e vou até lá para dentro"

Cara, tinha séculos que não via um homem dando um piti tão besta... A gerente se desculpou e eu tive que dizer a ela:

"Posso voltar a comprar aqui num futuro distante, mas eu NUNCA mais compro com o seu vendedor."

Meu diabinho mexeu as mãos satisfeito e eu saí dali abrindo a sacola... Abracei o livro com LUXÚRIA e cheirei as páginas de mais um livro novo...









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A Louca dos Tupperwares by SammyFreitas [crônica]

Posted by Samantha Freitas on 4 de janeiro de 2015 11:41 in , , ,


Todo mundo tem uma relíquia de família. Seja um aparelho de jantar de porcelana inglesa, jogo de chá de porcelana portuguesa ou mesmo um faqueiro de prata alemão Wolff. 

Mas... minha família tinha origens mais humildes, ainda assim, pude herdar um item de família. Nada menos do que uma JARRA DE SUCOS DA TUPPERWARE.

Ok.... Não ria... Tupperware tem um nome diferente, uma pronúncia mais engraçada ainda. Dificilmente as pessoas acertam o nome de primeira. Mas eu vou te ajudar... tenta comigo: TÁ-PÊU-ÉR - viu... não doeu! E quanto mais você repete, mais fácil vai ficando. Tenta só não dobrar a língua no final, tentando americanizar o nome. Você não vai acertar o tom certo e vai parecer americano falando RRRioww de Jannêeiiirowww!

Mas voltemos às relíquias... Namorei aquela jarra da vovó durante toda a minha infância. Ansiava visitá-la só para tomar um suco de maracujá de verdade, geladinho naquela jarra de policarbonato em uma época que imperavam jarras de vidro. 

A Tupperware é cara. Cara com vontade, por isso, ter um item desses na família, conferia status! Colocar a jarra com aparência futurística e tampa que realmente mantinha a bebida hermeticamente fechada sobre a mesa, era um charme. As pessoas abriam a boca e falavam com reverência: É tápiué? E minha mãe sorria com orgulho dizendo que tinha herdado da vovó. 

De todos os potes plásticos que existem no mercado, não há um sequer que tenha um mecanismo selante tão perfeito como o da tupperware. O único que realmente preservava a comida e mantinha o alface crocante! Sem contar que a maioria dos recipientes tem cores e design completamente diferentes do que vemos por aí...

Por tudo isso, sempre ansiei ter um item da Tupperware em casa. Não que hoje fosse me proporcionar o mesmo status do passado, muito mais pelas lembranças familiares, certeza da quase exclusividade praticidade e qualidade dos produtos.

E aí descobri que a esposa de um grande amigo promovia reuniões na casa sobre tupperware! Nessas reuniões, sucos, biscoitos e itens feitos e armazenados nos famosos recipientes... Eu precisava participar, afinal, era praticamente um culto religioso e que os Deuses não escutem, mas eu adoro cultos religiosos estranhos!

Na reunião, ouvi palavras como: "allegra", "policarbonato", "alta resistência", e até aí, estava tudo bem. Praticamente como se começassem num nível básico, para neófitas como eu. E então... em determinado momento, surgiu uma pergunta sobre "migração para bisfenol-A"... Um silêncio respeitoso se fez por alguns segundos logo seguido por explicações como: "projetado para reciclagem", "adotado internacionalmente", "aprovações regulatórias" e "características de desempenho melhoradas"

Meus olhos brilhavam e eu já nem me sentia mais num culto religioso. Só podia ser um braço da Cientologia!

Saí da reunião em êxtase mental e completamente conquistada. Comprei 12 recipientes exclusivos, entrei para o consórcio e tive uma epifania: Meus Tupperware jamais seriam emprestados. Eles seriam colocados em testamento para gerações futuras da família Freitas!





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