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Por que trabalhar?

Posted by Nanda Cris on 16 de março de 2013 06:00 in ,

Não é que eu não goste do que eu faço, veja bem! Eu até gosto. Mas se fosse algo realmente bom, a gente pagava pra fazer e não recebia por isso!

Na verdade, o que me mata de verdade são alguns fatores: a obrigação de fazer que me irrita. A necessidade de acordar cedo de segunda a sexta toda manhã. O estresse do trânsito. A cobrança de prazos. A barca passando e levando pessoas que, até onde você saiba, eram boas funcionárias. O filha-da-mãe puxa-saco sendo promovido, enquanto você, que rala que nem um condenado, só ganha tapinhas nas costas. A uma hora de almoço sem soneca. Tudo isso cria a revolta pelo trabalho.

Uma vez meu marido me perguntou:
- Se você ganhasse na mega-sena, continuaria trabalhando?
E eu respondi, sem nem pensar muito:
- Claro que não, que pergunta!!

Finalmente eu ia viajar para todos os lugares que eu quero conhecer, leria todos os livros que quero ler, compraria tudo o que quero comprar, teria minha família sempre perto de mim, sem perder 12h de convívio diário, não ia mais ouvir desaforo e abaixar a cabeça. A verdade é que eu tenho interesses infinitos, nunca ficaria entediada!

Ah, mas você não vai fazer nada para ninguém, vai viver de modo egoísta, sem sair da bolha??
Não, claro que não! Oras... é para isso que existem as obras beneficentes! Meu sonho é abrir um canil para adestrar labradores para serem guias de cegos. No Brasil quase não temos este trabalho e cada cachorro custa um preço estorcivo. Sendo que, um animal dura por volta de 15 anos. Se uma pessoa já é cega de nascença e vive 90 anos, ela teria que ter mais ou menos 6 cachorros para ter qualidade de vida, independência e segurança. Tem gente que não tem nem um por causa dos altos preços, imaginem 6! Assim, meu canil teria um cadastro e os labradores seriam doados. Imagine a vida de quantas pessoas eu não mudaria para melhor???
Acho que, de todos os sentidos, perder a visão é o pior, o que debilita mais. Não consigo imaginar minha vida sem enxergar.

Mas, enfim, voltando ao rumo da conversa... trabalhar não é só choro e ranger de dentes. Também tem suas vantagens!

FÉRIAS
Tem coisa melhor? É quando você ganha 1/3 a mais do que deveria e ainda não precisa acordar cedo durante um mês. Você é realmente dono da sua vida, fazendo o que quer, no horário que quer. Passeando por museus quando todos estão trabalhando. Acordando na hora do almoço e indo dormir 4 da manhã. Você é um rei. Pena que dura apenas 30 dias. Em alguns casos, pros ambiciosos, apenas 20! Rs.

FERIADOS
É tipo umas férias fora de época. O melhor é o do Carnaval: 3 dias de folga. Unindo com o final de semana, é o ápice da felicidade proletariada quando estamos tratando de feriados. Esses dias sem trabalho tão esperados ao longo do ano são pequenas gotas de felicidade em meio a aridez do trabalho ininterrupto. E ainda tem a vantagem que se formos obrigados a trabalhar, teremos hora extra de 100%!

SALÁRIO
Aquilo que te motivou a sair da cama por 22 dias ao longo do mês, que te fez aturar o mau-humor do chefe, o ônibus lotado, a comida ruim e gordurosa da rua. Pena que normalmente ele é menor que as suas dívidas (está aí o mínimo do cartão de crédito para não nos deixar mentir) e sai da sua conta mais rápido do que pão quentinho na padaria. É luz, telefone, aluguel... tudo ao mesmo tempo... e no fim, o que sobra, gastamos no supermercado!

DÉCIMO TERCEIRO
Pombas, tem coisa mais linda que isso? Um dia vou tirar férias em dezembro, só para receber 1/3 de férias mais décimo terceiro e ainda ficar um mês de bobeira. Imagina o que é ficar com muito dinheiro sobrando na conta e sem ter que fazer nada que não quisermos por 30 dias? É o mais perto da vida de Paris Hilton que eu vou chegar, sem a mega-sena. Deve ser muito frustrante quando janeiro chegar, mas enquanto dezembro durar, o bom humor perdurará!

Bem, eu só consegui pensar nessas 4 vantagens que o trabalho trás para a minha vida.
E você, consegue pensar em mais alguma?

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Nas profundezas do oceano

Posted by Nanda Cris on 15 de março de 2013 06:00 in , ,
- Shera, não seja tão infantil!

- Maros, não estou sendo infantil! Simplesmente me recuso a considerar essa hipótese. Estou apenas sendo prática.

- Prática? Você vive em um mundo de sonhos, cercada de coisas perfeitas. O que você sabe sobre praticidade?

- Pelo visto sei mais do que você, que prefere ficar esperando os acontecimentos. Vamos pegar nossos ovos e fugir!

- Shera, sou o príncipe herdeiro, não posso abandonar meu povo, quantas vezes preciso dizer?

- E eu sou o que? Meu pai tem todo um futuro traçado para mim. Casarei com Hernos, para unir nossos reinos e aumentar ainda mais a sua dinastia. Não sou uma qualquer! Também sou da realeza.

- Eu sei, não foi isso que eu quis dizer...

- Até porque, não me lembro de ter produzido esses ovos sozinha!

- Ora, não, claro que não...

- Maros, onde está o guerreiro por quem me apaixonei? Parece uma criancinha se escondendo atrás da coroa do papai. Eu também tenho muito o que perder por aqui, mas não me importo! Troco todas as regalias, por uma vida com você e nossos filhotes.

- Você não sabe o que diz...

- Sei, sei sim. Não sou criança. Sei cada consequência que surgirá dos meus atos. A grande pergunta é: eu não me importo pelo que vou perder... e você?

Neste momento, o casal foi interrompido pelo som de nadadeiras que se aproximavam rapidamente.

Shera olhou por cima do ombro e pode ver os guardas de seu pai de aproximando, precedidos pelo próprio Rei Thitos, que tinha uma expressão furiosa. Ela abraçou-se a Maros, num gesto de desafio, com uma expressão determinada no rosto. Não desistiria sem lutar.

Maros soltou um suspiro aliviado. Odiava confrontos e Shera o estava colocando contra a parede mais uma vez. A interrupção não poderia ter surgido em melhor hora. Sentiu que ela o abraçava com força, mas não retribuiu. Não queria que Thitos considerasse qualquer afronta de sua parte. Manteve o rosto impassível. Era muito bom nisso.



- Shera, explique-se. - Thitos falou com sua voz de trovão.

- Pai, eu quero me casar com Maros. Não desejo ter nada com Hernos.

- E desde quando você toma decisões estratégicas para o reino, mocinha?

Neste momento Maros desvencilhou-se o mais delicadamente que podia de Shera e chegou para frente, afastando-se dela o mais que podia.

- Senhor, entendo completamente seu desapontamento e tenho a dizer que sou totalmente a favor da sua decisão. Também já sou prometido. Eu e Shera nunca poderíamos nos unir, uma vez que nossos irmãos mais velhos já selaram a união entre nossos reinos.

- Fico feliz que você compartilhe da minha visão, Maros. Dê lembranças ao seu pai. Minha filha, vamos agora para casa, seu pedido não há razão de ser.

Shera, com um ar desolado, olhou para seus ovos e sentiu uma determinação brotar.

- Papai, agora entendendo que este calhorda quis apenas me usar e eu amaldiçôo-o cem vezes por isso. Que seu reino nunca encontre a fartura e seu povo pereça em doenças e dor. - Shera soltava rajadas de ódio enquanto encarava Maros. Voltou-se para o seu pai e apontou os ovos com a mão trêmula - Papai, meus filhos...

- Filhos? Por Zeus! - Thito aproximou-se furioso de Maros - O que você fez com ela, seu moleque?

Maros apenas o encarou, petrificado. Shera olhava o desenrolar dos fatos com um sorriso de satisfação no rosto.

- Ah, agora não sabe o que falar, hem? Pois bem, a honra da minha filha vem antes das questões políticas do reino. Avise ao seu pai que o casamento entre vocês está marcado para a próxima lua cheia. É isso, ou guerra. Vocês escolhem o que preferem. - e voltando a atenção para os guerreiros que o seguiam, ordenou - carreguem os ovos até a incubadora real.

Alguns guerreiros pegaram os ovos delicadamente e se afastaram, a fim de cumprir as ordens reais. Aproveitando-se deste momento de agitação, Shera aproximou-se de Maros furtivamente e murmurou:

- Eu sempre consigo tudo o que eu quero, queridinho. Nunca se esqueça disso.




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Sonhos...

Posted by Samantha Freitas on 14 de março de 2013 06:00 in , , ,
Sorri de leve e me ajeitei melhor na cama. Dei uma gemidinha e percebi que estava sonhando.

Percebi que era um sonho, porque minha realidade alternativa estava em tons de cinza...

No sonho, eu estava caçando. No começo, eu estava sozinha. Andava devagar, tomando o maior cuidado para não espantar minha presa, eu a tinha visto passar rapidamente há alguns minutos e agora só podia contar com os meus instintos.

Encostei atrás de uma parede e me preparei. Olhos atentos a qualquer movimento, fiz o maior silêncio possível e com meus ouvidos treinados, eu seria capaz de ouvir até mesmo um pingo de água caindo da torneira a metros de distância.

Sempre fui paciente. Mesmo nos sonhos, eu conseguia me concentrar e manter o foco no objetivo. E aquela caçada se repetia no mesmo sonho há dias sem que eu nunca conseguisse terminá-la antes de acordar.

Remexi de leve meu corpo. Se era mesmo um sonho - e eu começava a duvidar, mesmo com os tons de cinza - porque dessa vez eu não acordava? Eu já tinha passado da parte que se repetia, será que finalmente agora estaria acontecendo de verdade???

Estiquei uma perna... E a outra... Eu estava pronta. O cheiro de minha presa era tão forte, que pude perceber. Eu me preparei para atacá-la e então...

Caixas caíram sobre mim. É... Era um sonho mesmo... Na minha frente surgiu uma espécie de caixa gigante de papelão. Dentro dela, muitas caixas menores. Eu sabia que precisava entrar e que aquilo fazia parte da missão, então o fiz.

Fora da caixa estava frio, quando entrei, senti inicialmente o calor me envolver e me acomodei. Esqueci momentaneamente da caçada em que eu estava há alguns instantes e me senti subitamente cansada.

Será que se eu dormisse no meu sonho, eu acordaria na vida real??? Fechei os olhos no meu sonho e me acomodei esperando o que viria em seguida. Agora, o sonho estava começando a ficar imprevisível.

Virei meu corpo lentamente sem abrir meus olhos. Com os olhos ainda fechados e ainda estando acomodada, por um instante fiquei em dúvida se ainda estava sonhando ou já tinha voltado ao meu mundo e estava naquele estágio semi-acordada.

Dei uma leve gemida e um sorriso, prolongando aquela sensação de bem estar, até sentir seus braços carinhosos acariciando minha cintura de leve. Estava adiando o momento de acordar e me mantive alguns minutos, imóvel, recebendo seu carinho.

Até que aquela posição ficou incômoda demais. Então, suspirei feliz e me espreguicei, esticando meu corpo ao máximo.

Bocejei, abri meus olhos devagar, piscando de leve com a claridade. Encontrei seus olhos gentis e trocamos aquele olhar terno de amor.

Lambi sua mão que continuava me acariciando e ronronei baixinho para expressar minha felicidade.

Mais um dia de gata se iniciaria...













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Desafio de imagem: Fada dos Sonhos

Posted by Denize Ternoski on 12 de março de 2013 06:00 in , ,

Respondendo, finalmente, ao desafio de imagem proposto pela Nanda (Obrigada Nanda, e obrigada Marcinha que me deu uma inspiração para escrevê-lo):



FADA DOS SONHOS

Dinoráh esperou muito por aquele dia, o dia em que sua aluna estaria pronta para a missão. Foram anos e anos de muito treino e muitas dificuldades. Não é fácil treinar uma fada desde bebê a se tornar forte o bastante para uma missão tão importante como aquela. Devia treinar seus pensamentos, emoções, poderes, fraquezas. 
Dois mil longos anos de treino duro, mas Melissa era muito dedicada e parecia ser perfeita para a missão, esteve pronta até antes do tempo. Algo dentro dela a fazia ser mais especial.
            Naquela manhã Melissa se despediu de suas amigas e foi até sua planta favorita, despedir-se dela também. Era uma planta grande e exótica, ela não era só cheia de vida, tinha alma como todas as outras daquele lugar. Mas essa em especial falava.
            - Então você está saindo para sua missão? – disse a planta.
            - Sim. – Melissa respondeu com um sorriso largo.
            - Então sente-se aqui em minha folha, quero te dar um ultimo carinho antes de você partir.
            Melissa sentou-se na sua grande amiga. Com o olhar distante e um sorriso começou a imaginar como seria sua nova vida. Era grande a expectativa, pois fora treinada para aquilo desde muito pequena, e era um cargo muito importante o que iria ocupar.
            Melissa fora designada para ir à Terra, no inicio dos tempos. Ela seria a Fada dos Sonhos dos humanos, e a grande responsável por todas as vitórias daquela raça, todo o desenvolvimento, pois sem sonhos ninguém sai do lugar. E ela, tão sonhadora que era, seria a escolha perfeita.
            Os membros do Conselho Universal das Fadas, não estavam muito contentes em enviar uma fada tão jovem para uma missão dessas, que faria crescer ou destruiria toda uma raça, mas Dinoráh lutou bastante para que sua fadinha fosse aceita logo na missão. Ela sabia que a pequena estava mais do que pronta.
            O orgulho era visível em seu rosto enquanto olhava para Melissa, e dizia as palavras mágicas. A magia começou a acontecer, saindo de sua varinha e caindo suavemente sobre Melissa, que sentiu uma brisa macia e doce tocar-lhe, os olhos brilhavam de tanta expectativa.
            Sonhava muito com o que encontraria na Terra, e como não o faria? Era a Fada dos Sonhos!
            Ao chegar à Terra encontrou homens das cavernas, vivendo do que conseguiam encontrar na natureza. Achou aquilo muito lindo, pois na terra das fadas elas viviam em muita harmonia com a natureza.
Vivendo algum tempo com os humanos começou a assistir seus sonhos, eles queriam mais do que aquilo, começaram com a ideia de plantar o que comiam, criar seus próprios animais. Melissa foi incentivando cada ideia deles, plantando a magia dos sonhos em suas almas.
            Um pouco de progresso não faria mal, Melissa pensou, e foi incentivando. Logo eles pararam de viver em cavernas, começaram a construir algum tipo de habitação, uma sociedade.
Melissa sabia que estava na Terra para fazer os humanos progredirem. Ela não tinha tanto poder, na verdade seu maior poder era colocar esperança nas mentes das pessoas, para que não desistissem de seus ideais.
            O tempo foi passando, e em cada marco da história ela estava lá, a cada ideia que alguém tinha, ela plantava aquela semente de esperança, fazendo aquilo se tornar um sonho. E tudo ia muito bem.
            Mas Melissa viu quando os humanos começaram a sonhar por si só, e seus sonhos eram os piores possíveis. A humanidade começou a decair, uns pelas mãos dos outros.          
Ela estava em uma missão que já havia falhado antes mesmo de começar, pois a maioria dos humanos não precisava de sementinhas de sonhos para construir coisas, principalmente coisas ruins. Quem precisava dela eram os mais fracos e oprimidos.
Mas ela continuou lutando, plantando agora suas sementinhas só na mente daqueles que ela julgava ter bom coração. Sabia que não era isso que sua missão dizia, ela tinha que incentivar TODOS os sonhos humanos, mas ela não voltaria a sua terra se sentindo tão horrível. Ela se sentia um lixo por não conseguir fazer com que os humanos não destruíssem a si mesmos com seus sonhos doentes.
Desanimada e fraca, a Fada dos Sonhos foi denegrindo aos poucos, acabando-se. Ela não pôde mudar os humanos e seu sonhos horríveis, e também não tem conseguido plantar sonhos bons em quase nenhuma mente.
            Sua missão falhou assustadoramente, e aquele sorriso infantil de seu rosto deu lugar à lágrimas de dor. Agora seu único sonho é de que um dia fadas não sejam mais imortais, para que ela possa morrer, já que não há nada mais que ela possa fazer nesse mundo, e não tem coragem para voltar ao seu com tanto fracasso nas costas.

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Resenha "Dewey, um gato entre livros" - Março - Desafio Literário 2013 - by Sammy Freitas

Posted by Samantha Freitas on 11 de março de 2013 06:00 in , , ,

Eu sou uma grande apreciadora de livros. Sommelier é o termo adequado para um apreciador de vinhos, em tese, o nome do apreciador de livros é o Bibliófilo, mas até para isso, os dicionários discordam entre si. Uns alegam que é a pessoa que coleciona livros, outros que é quem gosta de livros. Enquanto não chegam num consenso, eu resolvi que eu sou uma "Livrommellier", porque eu não aprecio somente a beleza do livro em si, mas principalmente a beleza e a maneira como ele é escrito. 

Para mim, o livro é muito mais do que a capa bonitinha, o papel elegante, a encadernação caprichada. Para mim, o que realmente importa, é seu conteúdo. E embora eu tenha lido muitos livros nos últimos tempos, tenho observado que a qualidade do que é escrito já não é a mesma. Foi perdida no tempo e nos estilos. 

Fazendo uma comparação tosca com o futebol... Antigamente, havia o futebol-arte. Aquele praticado pelos grandes... Pelé, Rivelino, Jairzinho, Garrincha, Zico... Você assistia e via beleza nos dribles! Sem essa de neguinho ficar acertando os coleguinhas para fazer gol. Blerght...  Enfim... com livros é a mesma coisa. Sinto falta do texto-arte. Aquele que tem trechos em que você se deleita com o que está sendo escrito...

O prólogo me conquistou. Vick começou apenas falando da beleza dos campos de trigo de sua cidade. Mas aquele trecho era tão lindo, estava tão bem escrito, que eu fechava os olhos e ENXERGAVA os campos de trigo balançando ao vento. Suas descrições foram muito mais que elegantes e graciosas, você mal percebia que tinha lido um capítulo enorme e que seria uma introdução entediante. Você esquece tudo isso e fica se imaginando no campo. 

Só essa introdução, com essa leveza e suas descrições sobre como é a cidade, estavam com as palavras tão bem colocadas, com vocabulário decente que chegava a ser poética! Em seguida, vinha o primeiro capítulo escrito com maestria descrevendo como Dewey foi encontrado. Cada capítulo é TÃO bem escrito, que apesar de serem várias nuances e histórias sobre o gato, entrelaçadas com a história da cidade que eu realmente fiquei admirada pela maneira como a autora escreve. 

E aí você para e se pergunta... ué... a história não era de um gatinho? Pois é... Dewey é um gatinho que tinha tudo para ser mais um gato com uma história comum. Foi encontrado na caixa de devolução de livros da biblioteca no dia mais frio do ano na pequena cidade de Spencer, no estado de Iowa, nos EUA. Isso seria, talvez, o único diferencial dele. O modo como ele foi encontrado. Mas não foi o que aconteceu de verdade.

É sabido que todo bichinho de estimação tem a capacidade de mudar a vida de alguém. Agora imagine o que um gatinho doce, sapeca e gentil pode fazer por alguém além de se esfregar e dar sua cota de fofura e fazer pessoas vomitarem arco-íris sem parar. Imaginou? Multiplique isso por todos os habitantes de uma cidade...

Sim... Dewey não foi adotado por alguém quando foi encontrado. Ele foi adotado pela "biblioteca". E com isso, ele passou a ser um funcionário extra. Ele era alguém que recebia os sócios e frequentadores da biblioteca, dava seu amor e carinho para todos e tinha um feeling além do normal. Ele realmente sentia quando alguém precisava dele. Porque gatos tem esse sexto sentido felino. São muito independentes, não vem quando você chama, mas estão sempre por perto quando você precisa.

Sou suspeitíssima para falar, porque amo gatos. Dewey teve uma vida intensa. E Vick, soube contar sua história. Sua vida estava tão entrelaçada com a história da cidade, que era muito fácil fazer comparações de como ele lutou para se manter vivo durante à noite com tudo o que a cidade estava passando.  Todo o alento que ele dava às crianças, pais, desempregados, homens de negócio...

As pessoas transformaram a biblioteca num local de encontros. Em um Centro de Convivência. E Dewey estava lá para fazer isso acontecer. Com isso, ele começou a ficar famoso! Saiu no jornal da cidade... Depois em reportagens de cidades próximas... Algumas pessoas se mudaram para outras cidades e falavam de Dewey. Jornais, revistas, pessoas começaram a peregrinar para conhecer o manso gato da Biblioteca de Spencer. Todas achavam que aquele gatinho carinhoso, tinha um relacionamento especial com elas. E ele tinha. Cada pessoa era única e merecia seu carinho e atenção. 

Dewey conquistou fama, e embora fosse um gato (as pessoas sabem como gatos costumam ser ariscos e independentes), ele era mesmo um gato diferente. Ele PRESTAVA atenção nas pessoas, não saía quando desconhecidos vinham visitá-lo. Pelo contrário, ele era um ótimo "ouvinte". Ele estava sempre presente e disposto a se exibir, demonstrar seu carinho e afeição e não houve uma pessoa sequer, viesse de perto ou de longe, que tivesse se decepcionado ou ido embora sem conhecê-lo. Ele escolhia os colos e conquistava pessoas com seu jeitinho meigo e doce. 

Eu sei que esta resenha está horrível, porque eu perdi totalmente o foco... mas acredite, histórias de gatinhos são sempre fofas, imagine então a história de um gatinho que mudou a vida das pessoas. 

Uma menina autista que não levantava os olhos de sua cadeira, mudou de atitude com o tempo, depois de um tratamento intensivo de Dewey. Um menino alérgico, porém amante de animais, pôde finalmente ter o carinho de um gato, mesmo que nas poucas horas que passava na biblioteca. Um homem desempregado, que buscava incessantemente emprego no computador, um dia, baixou a cabeça, chorou e encontrou o olhar meigo do gato, que lhe deu forças para continuar tentando. Uma bibliotecária com uma doença complicada recebeu seu carinho em forma de lambidas ásperas e até mesmo era recebida com um aceno todos os dias quando chegava...

Ele não poderia melhorar a vida das pessoas lhes dando empregos, dinheiro ou mesmo conselhos, mas ele mudou cada pessoa que passou por ele, quando ela entrava desesperançada e em crise e ele deitava-se próximo e deixava sua fofura aquecer seu coração.

Além de ser uma história fofa (admito que chorei à beça, pois é... chorei o livro todo!!! às vezes detesto ser tão emotiva, rsss), a história do Dewey, conta a superação dele. Da Vicky. Da cidade de Spencer. De cada morador e visitante que foram conhecê-lo. Todos eles tem algo em comum. Estiveram numa situação muito difícil e se reergueram. Isso vale para você, querido leitor. Leia. Deleite-se com o texto e se estiver passando alguma dificuldade, ERGA-SE como Dewey. 

Trecho lindo e especial do comecinho do livro, quando Dewey foi encontrado:

Depositei-o sobre a mesa. O pobre gatinho mal se mantinha em pé. As saliências das quatro patas tinham sofrido geladuras e, ao longo da semana seguinte, ficariam brancas e descascariam. Mas, mesmo assim, o bichano conseguiu fazer algo realmente surpreendente. Ele se firmou na mesa e, lentamente, examinou cada rosto. Depois começou a capengar. À medida que cada pessoa estendia a mão para acariciá-lo, ele esfregava a cabecinha minúscula contra a mão e ronronava. Esqueça os eventos horríveis de sua jovem vida. Esqueça a pessoa cruel que o jogou dentro da caixa de coleta da biblioteca. Era como se, daquele momento em diante, ele quisesse agradecer pessoalmente a todos que conhecia por salvar-lhe a vida. 


Tempo: Algo entre três e quatro sentadas... Li durante o horário de almoço e levei 4 almoços para terminar.
Finalidade: Diversão/Auto-Ajuda
Restrição: Pessoas que não gostam de gatos e nem livros com bichinhos.
Princípios ativos: Gatos, Gracinhas, Gotas de Felicidade.



Título: Dewey - Um gato entre livros
Autor(a): Vicki Myron
Editora: Globo Livros
Número de Págs.: 272

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