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Desafio Realmente Desafiante 2013 - by Sammy Freitas

Posted by Samantha Freitas on 16 de fevereiro de 2013 06:00 in , ,

A Nanda no começo do ano, veio com mais um desafio para este ano... E como não sou de negar fogo, mesmo com os 12 livros do Desafio Literário + 12 do Clube do Livro, eu topei mais esse...






As regras são:

Ler somente livros que tenham sido comprados/ganhados de 2012 para trás. Você não poder ler NADA que tenha ganho ou comprado em 2013!!

São 18 desafios, deles 12 devem ser cumpridos no mínimo Porém você pode escolher o mês que vai realizá-los! O importante é cumprir 12 desafios. Você pode fazer um por mês, mas se quiser também pode fazer mais rápido e terminar o desafio antes do tempo! Ou fazer mágica e fazer os 18! XD

Atenção: um livro para cada desafio, ok?

Você pode usar o Link-me! Só ajuste o tamanho da imagem! Ou pode salvar a imagem no seu computador e colocar no blog com o link da página do desafio!! Fiz duas opções para você escolher! ;D

LEMBRE-SE: O desafio sempre deve estar com o link do Blog. Ok??


Desafio mais que desafiante da Sammy!


Leitura OK! 1. Ler um livro que você ganhou, não gostou muito e ficou na prateleira.
O poder do fogo - Kheder Rodrigues (leia aqui a resenha)


Agora que comecei a ler não sei porque não gostei muito... Estou gostando muito da história! 


Leitura OK!
 2. Ligar para um amigo, ou mandar uma mensagem no face, e pedir uma indicação de livro! Se você não tiver o livro, NÃO VALE COMPRAR, peça emprestado.
A mediadora – Meg Cabot  (leia aqui a resenha)

Nanda! Valeu pela indicação!
Leitura OK!
  3. Ler um livro com um doce na capa.
O diário de Bridget Jones - Helen Fielding
(leia aqui a resenha)


Custei a conseguir um livro com doce na capa! Mais uma vez agradeço à tia Nanda pela ajuda! (leia aqui a resenha)
 

Leitura OK!

4. Ler um livro com um casal apaixonado na capa.
Cidade das Almas Perdidas – Cassandra Clare


 
Leitura OK!
5. Ler um livro que o autor tenha a mesma inicial que a sua.
Se houver amanhã – Sidney Sheldon - (leia aqui a resenha)




Esse foi molinho, molinho! E como ele é parte dos livros que tenho que ler para o Clube do Livro, achei perfeito unir os dois desafios!


Leitura OK! 6. Peça para alguém olhar na sua estante e escolher um livro há muito esquecido.



Leitura OK!
7. Ler um livro que é citado em ouro livro. (Por exemplo: A Bella em crepúsculo cita "O morro dos Ventos Uivantes"
O amor nos tempos do cólera - Gabriel Garcia Marquez 
(leia aqui a resenha)

Esse também é um que tenho que ler para o Clube do Livro, assim eu não me aperto demais! 




Leitura OK!
  8. Ler um livro que foi lançado no ano do seu nascimento. (Estou repetindo porque quero tentar de novo!)
A hora da estrela - Clarice Lispector (leia aqui a resenha)

Procurei na Wikipedia o ano de 19... e não achei NADA na área de literatura... Daí saí procurando por autores que conheço e vendo a bibliografia deles... Topei com essa maravilha da Clarice!


Leitura OK!
9. Ler um livro cujo título tenha mais de 5 palavras.
Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar - Moacir Scliar  (leia aqui a resenha)

Tenso! Esse conta a história toda só no título! O bom é que ele eu posso ler mais rápido, já que é curtinho ;-)

Leitura OK!
10. Ler um livro que tenha entre 300 e 350 páginas.
Morte dos Reis – Bernard Cornwell - (leia aqui a resenha)

349 páginas... por MUITO pouco ele não serviu!


Lendo!
 11. Ler um livro nacional.
Camundo – Nanuka Andrade 

O autor é um FOFO!!! Postei o link do site do livro, para vocês verem como é fantástico!

12. Ler um livro que você ganhou de presente de aniversário.
Necrópolis - Douglas MCT 

Outro escritor brasileiro! Gente, sério, essa galera nova que está escrevendo literatura aqui no Brasil está dando um caldo nos estrangeiros!


Leitura OK!
13. Ler um livro com a capa entre bege e marrom.
Cidade dos Anjos Caídos – Cassandra Clare
(leia aqui a resenha)

Estava tentando arrumar um tempo para ler a continuação, me parece o momento perfeito, durante um desafio! 
Leitura OK!
14. Ler um livro de zumbis.
The Walking Dead - Um caminho para Woodbury - (leia aqui a resenha)

Ok, esse vou pegar emprestado com uma amiga, mas eu realmente PRECISO lê-lo, ainda mais agora, com o retorno do seriado!

Leitura OK!
15. Ler um livro com a capa feia. (E explicar o porque não gosta da capa!)
Christine - Stephen King

Sinceramente, a capa nem é tão feia, mas sabe aquele negócio que você não simpatiza? Sei lá... tem algo meio sinistro naquela caveira, rsss 




Leitura OK!
16. Reler e resenhar um livro que leu a muito tempo e nunca resenhou!
O meu pé de laranja lima - José Mauro de Vasconcelos
(leia aqui a resenha)

Vou chorar litros, como todas as vezes que releio, mas vai ser ótimo, porque além de ser livro-tema do Clube do Livro, eu nunca resenhei!



Leitura OK!
17. Ler um livro que tenha um personagem com o seu nome ou que tenha o mesmo apelido que você.
Samantha Sweet, executiva do lar - Sophie Kinsella 
(leia aqui a resenha)

Tia Nanda, já sabe que é você que vai me emprestar né? rssss
Leitura OK!
18. Ler um livro com a capa com letras amarelas.
O lado bom da Vida - Mattew Quick
(leia aqui a resenha)

Esse suei a camisa, tive que tirar VÁRIOS livros da estante para achar um com letras amarelas, que eu estivesse disposta a ler e não tivesse lido!





Agora é só mãos à obra! Digo, olhos a obra! Já estou lendo o primeiro da lista!

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Resposta ao Desafio Musical

Posted by Marcinha on 15 de fevereiro de 2013 05:00 in , , , ,

Acelerando
(texto inspirado na música "Trancado", de Ana Carolina)



Enxugo as lágrimas num movimento rápido, passando o antebraço pelo rosto, a fim de desembaçar a visão da estrada à minha frente. Mudo a marcha, "mandando uma pra baixo", e acelero mais do que deveria. O motor V8 ronca debaixo do capô, enfurecido. Não está mais enfurecido que o meu coração, entretanto.

Droga! Deu tudo errado! Merda! Eu rosno entredentes. Agora acabou. Vida nova.

Preciso de música. Onde está meu pen drive? Não está no porta luvas. Que droga. Olho pelo retrovisor interno, para a montanha dos meu pertences pessoais amontoados no banco traseiro do meu Dodge. Não vou encontrar meu pen drive nessa montanha de coisas. No mínimo o deixei pra trás, no rompante da minha saída de casa.

Nem um maldito AC/DC eu posso escutar pra me consolar!

Rádio. Odeio, mas ter de servir.

"Eu tranco a porta
pra todas as mentiras
E a verdade também, está lá fora
Agora, a porta está trancada"

Música nacional, eu mereço... se bem que eu amo a voz da Ana Carolina. E a música é muito pertinente nesse momento. Minha porta agora está bem trancada. Tranquei meu coração, minha alma, minha vida. E vou jogar a chave fora!

"A porta fechada
me lembra você a toda hora
A hora me lembra o tempo que se perdeu"

Oh, droga... estou chorando de novo. O tempo é um carrasco... como, depois de 20 anos, não lembrar de alguém a toda hora?

"Perder é não ter a bússola
É não ter aquilo que era seu
E o que você quer?
Orientação?"

Aquilo que era meu... eu sempre tive certeza que ele era meu. E ainda tenho certeza que é meu. Oh Deus, como foi que tudo se perdeu? O que faltou? Do que ele precisava pra me amar da maneira pela qual eu tanto ansiei? Orientação? Mais? Precisava que eu fizesse um gráfico? Meus Deus, eu falei tantas vezes...

Piso mais fundo no acelerador, ouvindo o ronco ensurdecedor do oitão. Ainda bem que a estrada está vazia.

"Eu tranco a porta pra todos os gritos
E o silêncio também está lá fora
Agora a porta está trancada"

Chega dos gritos, dos dele, dos meus próprios. Chega dessa fera raivosa na qual eu mesma me transformei. Não quero esse ódio que eu carrego no meu peito. Se os momentos bons compensassem... se fossem a maioria. Silêncio, paz. Companheirismo. Afinidades. Hoje, deixei isso tudo para trás...

"Eu pulo as janelas
Será que eu tô trancado aqui dentro?
Será que você tá trancado lá fora?"

As lágrimas afloram, incontroláveis. Alivio um pouco o pé do acelerador. A estrada é uma massa disforme na minha frente. É melhor eu parar no acostamento. Ligo a luz de alerta e estaciono o Dodge.

Eu sinto uma dor no meio do peito quase como se um alien fosse saltar por ali. Ele sempre foi a única pessoa na minha vida inteira capaz de me fazer sentir uma dor assim. Será essa dor a minha companheira de agora em diante? Resolvi me trancar e partir, achando que a dor não me seguiria. Ledo engano. E agora estou só, sozinha pra lidar com essa dor no meu peito. Ele está longe, pra sempre. Ele que me fez sentir dor tantas vezes. Ele... que tantas vezes também foi meu bálsamo. Inúmeras vezes ele foi tudo de que eu precisava. Ele que sempre esteve ao meu lado. Para tudo, sempre me estendendo a mão. Por mais de vinte anos.

"Será que eu ainda te desoriento?
Será que as perguntas são certas?"

Cruzo os braços sobre o volante negro à minha frente e descanso sobre eles a cabeça. Não sinto nem sombra da raiva que me movia quando saí de casa. Agora eu sinto apenas o pesar, imenso e insuportável, como o peso do mundo inteiro sobre os meus ombros.

Eu que desconfio tanto das pessoas, eu que tenho tantas incertezas... Sobre ele, há tanta coisa que eu sei! Eu sei que ele me ama, eu sei que eu o desoriento a ponto de nem sempre ele fazer o que eu preciso, mas... o amor dele é incontestável. Disso eu sempre soube.

Merda, o que eu estou fazendo?!

Choro. Choro até meu rosto ficar vermelho, até os soluços sacudirem violentamente o meu corpo. Eu fiz todas as perguntas erradas, foi isso? Me perguntei exaustivamente como sair dessa situação, quando deveria ter me perguntado como melhorá-la?

Levanto a cabeça e recosto-me no banco do motorista. Fecho os olhos, enquanto sinto o tremor do V8 funcionando em marcha lenta. É como um acalento, uma canção de ninar. Os carros tem sido meu mundo, desde que conheci aquele homem. O ronco do motor me acalma, a velocidade me alegra.

Choro recostada ao banco, até não ter mais lágrimas. Mantenho os olhos fechados. Fico em silêncio por tanto tempo, que o choro que banhou meu rosto seca totalmente.

...

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...

...

...

...

...

...

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...

Abro os olhos. Respiro fundo, tomando coragem. Há uma estrada à minha frente. Não posso voltar atrás agora. Eu sei exatamente o que devo fazer.

Engreno a primeira e saio do acostamento cantando pneus. Ganho a estrada a minha frente, retomando o percurso que fazia, o caminho que me leva para longe de casa. Olho pelo retrovisor todos os meus pertences no banco traseiro, a estrada vazia que ficou para trás...

A estrada totalmente vazia. É agora ou nunca.

Tiro o pé do acelerador, puxo o freio de mão sob o painel e viro o volante todo para a esquerda, mandando "um cavalo" no meio da pista. O Dodjão canta os pneus enquanto desliza num elegante ângulo de cento e oitenta graus. Eu o alinho na pista rapidamente, no sentindo contrário ao que eu vinha. Empurro uma marcha pra baixo e catuco fundo o acelerador, deixando um rastro de borracha no asfalto e uma nuvem com cheiro de pneu queimado que me é tão peculiar.

Estou voltando para casa.

"Então eu me tranco em você
E deixo as portas abertas"



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Resenha "Sushi" - Fevereiro - Desafio Literário 2013

Posted by Samantha Freitas on 14 de fevereiro de 2013 06:00 in , , , , , ,

Um livro que te faça rir: "Sushi" - Fevereiro - Desafio Literário 2013
 

O livro é Sushi, e a autora é Marian Keyes. Quando montei os livros do Desafio Literário de 2013, eu tinha escolhido para fevereiro (Um livro que te faça rir) o Gui a do Mochileiro das Galáxias. Mas... o livro não me prendeu quando comecei a lê-lo em dezembro e acabei trocando o mesmo no Café Literário do Clube do Livro. E aí fiquei com uma lacuna. De cara, pensei nos livros da Marian e eu tinha acabado de receber pelo correio/esquema de trocas do Skoob, Sushi. Já tinha lido Melancia e Férias e tinha gostado dos dois, então achei uma ótima alternativa.

Ledo engano. Eu me arrastava pelas páginas e quase desisti de ler. Ao invés de uma, eram três protagonistas (embora duas fossem mais atuantes). Até aí tudo bem, nunca tive dificuldades em ler livros com múltiplos protagonistas, mas o problema é que o livro não me convencia, eu não tinha a menor simpatia/empatia pela primeira personagem principal e menos ainda pela última. A única que eu comecei a gostar era justamente a típica Marie Sue.

Algumas passagens engraçadas, mas mesmo assim, o livro não me prendeu. Quando cheguei mais ou menos na página 350 (fui guerreira!!!), o livro engrenou e pegou um ritmo cadenciado digno de uma noite de amor excelente.

Agora sim... depois de deixar bem claras minhas reações iniciais, posso falar da história em si... Lisa, Ashling e Clodagh são três mulheres totalmente diferentes. A primeira, uma executiva de uma revista feminina de sucesso que sempre foi uma mulher vencedora, se depara com um "rebaixamento" em sua carreira, sendo enviada para um país horroroso em sua opinião. E ela, uma mulher durona e muito difícil de lidar. O que mais me incomodou nela, foi a futilidade e algumas atitudes extremamente maldosas. Ela me lembrou muito Miranda Priestley de "O diabo veste prada". A segunda personagem, de quem eu gostei muito, foi Ashling que tinha acabado de perder o emprego e estava arriscando tudo num emprego novo. Prestativa, meiga, mas muito submissa. E a terceira, Clodagh, essa definitivamente eu detestei. Ela era a única que tinha tudo para estar feliz e no entanto, era a mais rancorosa. Ela era uma pessoa horrível! Como alguém pode dizer para uma criança de 3 anos que seu personagem preferido na TV morreu atropelado por um caminhão? E essa, foi das mais leves...

O destino das três se cruza graças a Ashling que é contratada para ser o braço direito de Lisa e é melhor amiga de Clodagh desde sempre. As três se encontram em um show de humor e o que eu pensei que seria um bom gancho para que as histórias deslanchassem, ficou por aí mesmo. Cada uma continuou seguindo seu rumo. E o livro permaneceu num mar de água tão parada que o mosquito da dengue conseguiria se reproduzir por várias gerações seguidas...

Em um determinado momento, as três sofrem um colapso nervoso e cada uma delas enfrenta seus demônios de uma maneira diferente. E é neste momento do colapso que cada uma das personagens tem sua revelação e conseguem dar a volta por cima (ou não!)

Meu trecho favorito:
"...será que se tornara alguma débil, alguma incapaz, alguma perdedora? Mas não se sentia fraca. Só porque não desejava mais fazer algumas coisas, isso não significava que houvesse se tornado uma fraca, apenas tinha se tornado uma pessoa diferente."

Lisa amadurece e ela mesma se sente uma pessoa melhor. Acredita piamente que tudo que aconteceu com ela, apesar dela lamentar, foi merecido e aceita. Recebe uma recompensa surpresa da vida, que não vou contar, senão acaba a graça da leitura não é?

Ashling também amadurece. O problema dela não era ser uma pessoa melhor. Isso ela sempre foi. Mas ela consegue superar seus medos e inseguranças e também é premiada com uma grande conquista.

Já Clodagh... Bem... ela teve o final que mereceu (também, eu não queria dizer, mas vou ter que comentar... com um nome desses, parecendo "cloaca" não podia sair boa coisa não é mesmo?) :-D

E eu? Bem... depois de toda a história, fiquei muito tentada a experimentar Sushi...

Recomendo a leitura se você tiver paciência para a grande zona parada inicial. O final consegue ser doce e surpreendente na medida certa.


Autora: Marian Keyes
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 560

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Inimigos Noturnos, O Final

Posted by Nanda Cris on 11 de fevereiro de 2013 12:12 in ,
Primeiramente, para quem não leu o início da saga, aqui vai:
Agora, vamos à parte final. Ficou grande porque tinha muita coisa para explicar. Espero não ter deixado nenhuma ponta solta!

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A jornada era longa e, por isso, perderam a noção do tempo. Paravam para comer e descansar quando seus corpos não aguentavam mais. O dia se fez noite num piscar de olhos. E logo o tempo perdeu qualquer significado, com os dias se sucedendo, um a um, numa rotina constante. O ritmo da marcha foi diminuindo conforme Anna ficava cada vez mais debilitada. Ela oscilava momentos de lucidez, delírio e apatia, cada instante do dia sendo uma incógnita. Chegou a um ponto em que ela não conseguia mais andar e Ray foi obrigado a carregá-la. Sem saber direito o que procurar, não tinham tido muito sucesso ainda na busca da cura, mesmo vagando pela tal floresta há três dias já. Num dos momentos de pausa, Ray debatia-se internamente com seus pensamentos.

- Não há esperança. Essa floresta é imensa, eu nem sei por onde começar!

Ele olhou para a faca que jazia pendurada em seu cinto. Pegou-a, sentindo o peso em sua mão. Encarou Anna que dormia.

- Será que estou fazendo a coisa certa? - pensou.

Começou a andar de um lado para o outro, aflito, sem saber o que fazer. Encarou a faca. Será que Ametista estava certa, afinal de contas? Ele estava iludido, procurando por uma cura que não existia? Aproximou-se de Anna. Ela parecia tão serena dormindo. Mas aquilo era uma ilusão, e ele sabia. Nos últimos dias ela estava cada vez mais agressiva, tornando a busca deles ainda mais difícil. Era impossível carregá-la enquanto ela tentava arrancar sua orelha com os dentes. Agachou perto dela e fez um carinho na sua cabeça, enquanto murmurava:

- Você sabe que eu te amo, não sabe? Mas, infelizmente, não estou vendo outra saída. Tenho que matá-la para salvar você. Quando for um zumbi completo, talvez eu não consiga ter forças para te deter sozinho, armado apenas de uma faca.

Encostou a arma no pescoço dela e começou a suar de nervoso. Estava num dilema, sem saber como proceder, quando sentiu uma forte pancada na cabeça e caiu desmaiado.

...

Acordou com gosto de sangue na boca, e percebeu que ela havia sumido. Praguejou e levantou rapidamente, sentindo tudo girar.

- Que bosta! - murmurou - só faltava essa!

Ficou parado alguns minutos, esperando tudo se reajustar novamente. Começou, então, a andar em círculos pela floresta, e depois de algumas horas, a frustração já o dominava por completo. Começou a gritar, como uma forma de descarregar a raiva:

-Vá para o inferno seu maldito! Devolva a Anna para mim, agora!

Olhou em volta, mas não percebeu nenhum movimento. Continuou:

- Covarde, é isso que você é! Me atacando pelas costas! Vem aqui me pegar, se você for homem!  Eu só queria a merda da cura! Mas agora estou preso nesta maldita floresta, completamente perdido, sem a Anna, sem a cura, sem nem uma resposta! Maldito! Mil vezes maldito!

Neste momento Ray sentiu o cabo de uma espingarda se encostar entre suas omoplatas e uma voz calma e conhecida lhe dizer:

- Calma, meu rapaz. Somos amigos aqui. Vire-se devagar.

E assim Ray o fez, sem acreditar em quem via.

- Juiz Reuben? O senhor está vivo?

O velho abaixou a arma e respondeu:

- Claro que estou, garoto! Quem você acha que te mandou aquele bilhete sobre o paradeiro de Anna?

- Então foi o senhor... mas como pode?

- Eu ia falar diretamente com você, mas quando cheguei em seu esconderijo, você não estava. Os tempos estão difíceis, eu não podia simplesmente sentar relaxadamente para te esperar, não é mesmo? Então rabisquei um bilhete e não assinei. Achei que o fato das chaves do meu carro estarem juntas ao bilhete já era mais do que uma assinatura.

- Mas...

- Como ela foi parar lá? Eu vi quando ela foi capturada. Persegui os zumbis e matei os dois numa jogada de muita sorte. Infelizmente um deles já havia arrancado um pedaço do ombro dela. Mas achei que mesmo assim valeria a pena o resgate. Naquela época não sabia que ela ia se transformar em um bebê zumbi. Mas foi até bom, não é mesmo? Hoje sabemos que há cura para a enfermidade. Enfim, eu estou devaneando, me desculpe. Coloquei-a no porta malas porque estou velho, não ia ter forças para carregá-la para o meu esconderijo e não fazia ideia de onde você estava na ocasião. Só depois consegui localizá-lo.

- Juiz, eu realmente o agradeço por tudo, mas você sabe onde ela está agora?

- Você vive perdendo esta menina, hem? - Reuben falou, deixando soltar uma gargalhada baixa.

- Senhor, é sério.

- Ok, desculpe. Forrest a levou.

- Oh meu Deus, mas Forrest é um deles agora! Temos que impedi-lo!

- Calma, calma. Forrest era um deles. Perceba a conjugação verbal. Ele foi curado e está tão são quanto eu e você.

- A cura é real então?

- Sim, totalmente.

- Mas como?

- Vamos fazer o seguinte: eu te levo até o doutor e você tira suas dúvidas diretamente com ele. A esta altura, Anna já deve estar em processo de purificação.

Ray acenou com a cabeça concordando, por medo de falar. Sentiu lágrimas chegando aos seus olhos. Anna sendo curada? Nem no seu pensamento mais otimista tinha acreditado realmente nisto. Mas era real, estava acontecendo.

...

Andaram durante muito tempo para chegar ao acampamento. O local era uma grande fortificação, como a que o povo de Ametista vivia. Ray parou e admirou aquela enorme arquitetura, maravilhado.

- Não fique aí parado, filho. Por dentro é ainda mais interessante.

- Mas, como... ?

- Pergunte ao cientista, ele vai saber te explicar melhor.

Virando-se para uma porta escondida nas folhagens, o juiz bateu e falou:

- Libertatem et honorem. - a porta se abriu sem nem um leve ruído.

Eles entraram e Ray se viu novamente entre várias barracas coloridas. Será que aquilo era alguma brincadeira de mal gosto?

...

- Então você é Ray Atlee, hum?

- Sim, e o senhor?

- Pode me chamar de Cientista, é como todos me chamam.

- Tenho muitas perguntas, nem sei por onde começar.

- Então me deixe explicar alguns pontos, e, se ainda restar alguma dúvida, você me pergunta diretamente, certo?

- Combinado.

- Muito bem. Dediquei a minha vida inteira a trabalhar pro governo. Solicitaram que eu criasse um vírus que debilitasse as pessoas, sem matar. Que elas se tornassem, então, facilmente manipuláveis. Assim não haveriam mais guerras e sim, países dominados sem nem uma gota de sangue derramada. E eu, em meu patriotismo cego, criei. Mas algo deu errado. A infecção saiu de controle, e as pessoas não continuaram vivas e cordatas e sim, mortas e sedentas de sangue.

- Certo, isso explica os zumbis. Mas porque o governo não contra-atacou? E porque os zumbis apareceram aqui e não em outro país?

- Eles colocaram o vírus em alguns condenados à morte, a título de teste. Não houve tempo para criarmos uma vacina, ou uma cura, tudo saiu rapidamente do controle. O governo, então, pegou alguns dos cidadãos mais influentes e jogou em refúgios como este em que você está agora. Como o vírus se propaga pela saliva do hospedeiro, eles não podiam correr o risco do presidente, por exemplo, virar um bebê zumbi.

- Mas como os zumbis sabem quem deve ser poupado? Porque só alguns passam pela mutação, o restante vira jantar?

- Ainda não consegui estudar isto a fundo, a criação da cura me sobrecarregou completamente. Mas tenho algumas teorias. Seria ou pelo tipo sanguíneo  ou então por alguma particularidade no DNA... ou talvez seja uma terceira coisa, que eu ainda não atinei.

- Talvez... é... pode ser pelo tipo sanguíneo  - Ray coçou a cabeça e complementou - Anna e Forrest são tipo AB positivo.

- É, talvez, mas isso são especulações.

Um silêncio envolveu a sala e Ray resolveu perguntar o que mais lhe interessava:

- Posso ver Anna?

- Claro, siga-me.

...

Anna estava em uma cela cujas paredes eram de um vidro bem grosso. Ray aproximou-se o máximo que pôde e bateu na divisória para chamar a atenção dela, que estava de costas. Ela virou-se lentamente, agressividade no olhar. Ele deu um passo para trás, assustado. Achava que a esta altura, estaria curada. Ela começou a ficar enlouquecida e ele temeu que não houvesse mais tempo. Ray virou-se para o Cientista e falou, angustiado:

- Ela já não estava sendo purificada?

- Sim, mas o processo é lento e doloroso. Ela tem que piorar antes de melhorar.

Olhando para o rosto desanimado do rapaz, o Cientista complementou:

- Quer um conselho, meu filho? Você aqui será inútil neste momento. Vá comer alguma coisa. Quando Anna estiver curada, você será o primeiro a saber.

- Não posso deixá-la sozinha, passando por isso.

- Pode e deve, ela não sabe quem é você. Evite este sofrimento desnecessário. Vá.

Ray saiu da prisão cabisbaixo, sem saber bem para que lado ir e não se importando com isso. Não estava com estômago para comer nada, sua cabeça era um turbilhão confuso. Escutou passos correndo em sua direção e virou-se alarmado, com a faca em punho. Deparou-se com um Forrest surpreso.

- Ray, meu amigo, quanto tempo!

- Forrest, você realmente está curado! - e, dizendo isto, abaixou a faca e se aproximou para um abraço camarada - Você não faz idéia do tamanho da felicidade que eu estou sentindo por isso!

- Não é maior que a minha, meu amigo! - eles se abraçaram por um tempo, radiantes, e depois se afastaram, com sorrisos nos lábios - Devo isso ao meu velho. Ser filho de militar tem suas vantagens, não é? Se não fosse por ele, ainda estaria por aí perseguindo pessoas e babando.

- Forrest, só você mesmo para fazer piada de algo tão aterrador.

- Um dia, quando tudo isso acabar, vou me aproveitar da minha experiência como zumbi e vou escrever um stand up comedy sobre isso. O que você acha, meu amigo?

- Acho que você é pirado. Tem certeza que seu cérebro não ficou com sequela zumbi?

Os dois amigos riram a valer. Mas Forrest, de um momento para o outro, ficou sério e falou:

- Acabo de me lembrar de uma coisa, gostaria de pedir desculpas a você.

- Desculpas, pelo que?

- Pela coronhada que te dei na floresta.

- Seu filho da mãe! Foi você! Porque fez isso?

- O tempo para Anna estava se esgotando, logo ela não teria mais salvação. A ordem que eu tinha era para pegá-la rapidamente e levá-la para o Cientista. Como a última vez que nos vimos, eu era um zumbi, você poderia começar a me crivar de perguntas me vendo são novamente e eu não ia ter tempo ou conhecimento para te explicar tão bem quanto o Cientista o fez, então achei mais fácil te apagar. Desculpe.

- Tudo bem, foi por uma boa causa. Mas, por favor, na próxima não faça isso. Dá uma dor de cabeça do caramba depois.

- Certo, combinado. Vem comigo, vamos na minha barraca. Papai deve estar terminando de preparar o almoço por agora. Você será bem vindo para comer conosco.

...

O almoço estava muito bom, e Ray repetiu três vezes. Aquele tempo todo vagando com Anna, comendo apenas algumas frutas, o tinha deixado faminto por algo salgado e quente. Forrest então lhe ofereceu um saco de dormir que foi aceito sem nenhum protesto e Ray pode, enfim, dormir um sono tranquilo como há muito não experimentava.

...

Acordou sentindo leves beijos na bochecha. Olhou em volta, meio atordoado e se deparou com uma Anna sorridente. Segurou seu rosto com as duas mãos para ter certeza de que aquilo era real.

- Anna?

- Sim, sou eu! Eu de verdade, eu curada! Mal posso crer!

- Nem eu, meu amor, nem eu!

- Posso te pedir um favor?

- Claro, tudo o que você quiser.

- Chega um pouquinho pra lá, Ray, que eu quero deitar aí com você... estou com uma saudade!

- Nem precisava pedir, minha linda.

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Desafio Realmente Desafiante 2013 - um livro com um doce na capa --> Um gosto de amor

Posted by Nanda Cris on 10 de fevereiro de 2013 21:06 in ,





Esse livro é o segundo da série "As Irmãs Keyes" e, devo admitir, não li o primeiro! Mas tudo bem, porque não é algo obrigatório, o livro é bem independente.

Neste volume, lemos a história de Nicole, a irmã gêmea de Claire que é a protagonista do primeiro livro. Nicole acabou de sair de um casamento fracassado com Drew, cuida sozinha da confeitaria da família e tem baixa auto-estima. O que parecia ser um dia como outro qualquer na confeitaria, acaba sendo temperado por um quase roubo de donnuts feito por um jogador de futebol americano do colégio das redondezas. É quando entra na vida de Nicole o extremamente sexy treinador Hawk, que vem em auxílio de Raoul e imediatamente se interessa por ela. Temos início então um jogo de gato e rato onde Hawk se mostra totalmente interessado e Nicole finge que não se importa com ele.

O jogo muda completamente quando Nicole não aguenta mais ver a piedade no rosto das pessoas. Então, ela faz um trato com Hawk: ela oferece sexo, enquanto ele finge ser namorado dela. Após a primeira vez deles, Nicole percebe que foi quem mais saiu ganhando no acordo, já que terá seu falso namorado e sexo de qualidade sempre que Hawk quiser... e ele quer sempre!

O livro é da Editora Harlequin, esquecendo os preconceitos, é um romance água com açúcar que fará os diabéticos terem que aplicar insulina. Mas, vale a pena, porque é um passatempo bem gostoso, tem cenas hot para ninguém botar defeito, e até mesmo algum drama com a filha de Hawk surtando achando que Nicole quer roubar o lugar de sua mãe, Serena, que morreu de câncer há 6 anos atrás.

Se você não tiver nenhum livro te esperando na fila, ou estiver num dia que não queira nada muito profundo, pegue esse, porque você vai ter algumas horas de diversão garantida.

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Desafio Realmente Desafiante 2013 - Um livro indicado - Pollyanna

Posted by Nanda Cris on 20:28 in ,



Pollyanna fica órfã aos 11 anos e, por isso, vai morar com sua tia Polly em uma cidadezinha chamada Beldingsville.
Polly é muito seca e só aceita abrigar Pollyanna por um dever moral. Aloja a menina no sótão, assim elas ficariam bem distantes uma da outra. Mas o tempo vai passando e a tia, assim como todos da cidadezinha, não consegue resistir ao grande bom humor de Pollyanna que a todos conquista.

Comecei a ler esse livro pensando: "cara, isso vai ser um saco". E conforme fui lendo, não consegui desgrudar. Eu bebia as palavras, como se estivesse com muita sede. Essa história é um verdadeiro bálsamo para a alma e nos mostra como enfrentar os intempéries da vida sem perder a compostura e com um sorriso nos lábios. Como? Através do jogo do contente que Pollyanna nos ensina, assim como seu pai o fez quando ela era bem pequena. Ao pedir uma boneca, e ganhar um par de muletas para criança, Pollyana se desespera e chora muito. Seu pai, então, explica como funciona o tal jogo. Basta você imaginar um motivo para ficar contente de ter ganho muletas. Difícil né? Não para Pollyanna e seu pai: eles ficaram contentes por ela não PRECISAR usá-las. Perspectiva interessante de se ver as coisas não?

Pollyanna passa o livro todo ensinando o jogo do contente e transformando a vida das pessoas. Com esses exemplos, podemos ver o quanto é fácil jogar e pintar nossa vida com cores mais alegres.

Um fato curioso que aconteceu na leitura: eu já estava nos capítulos finais, quando vi que estavam faltando páginas. Quase tive um troço! Saí correndo para o computador, para reclamar com a Sammy, que havia me emprestado o livro. Aí ela me disse:

- Calma, não priemos o pânico. Eu tenho aqui em PDF!

E lá, fui eu, enlouquecida, terminar a leitura no computador mesmo. Total desespero para saber o final da história, rs.
Eu fiquei tão, tão contente da Sammy ter o livro em PDF e assim não precisar procurar um link para download na internet! (viu? Jogando o jogo do contente!)

Leiam, o livro é fininho e a leitura é muito prazerosa. Vale muito a pena.

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