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Desafio Musical: All Star - Cássia Eller

Posted by Nanda Cris on 2 de fevereiro de 2013 06:00 in , ,

All Star
Cássia Eller



♪ Estranho seria se eu não me apaixonasse por você
O sal viria doce para os novos lábios
Colombo procurou as índias
Mas a terra avistou em você
O som que eu ouço são as gírias do seu vocabulário
Estranho é gostar tanto do seu all star azul
Estranho é pensar que o bairro das Laranjeiras
Satisfeito sorri quando chego ali
E entro no elevador
Aperto o 12 que é o seu andar
Não vejo a hora de te encontrar
E continuar aquela conversa
Que não terminamos ontem
Ficou pra hoje ♫

♫ Estranho mas já me sinto como um velho amigo seu
O seu all star azul combina com meu preto de cano alto
Se o homem já pisou na lua
Como ainda não tenho seu endereço?
O tom que eu canto as minhas músicas pra tua voz
Parece exato
Estranho é gostar tanto do seu all star azul
Estranho é pensar que o bairro das laranjeiras
Satisfeito sorri quando chego ali
E entro no elevador
Aperto 12 que é o seu andar
Não vejo a hora de te encontrar
E continuar aquela conversa
Que não terminamos ontem
Ficou pra ...Laranjeiras ♪

♪ Satisfeito sorri quando chego ali
E entro no elevador
Aperto o 12 que é o seu andar
Não vejo a hora de te encontrar
E continuar aquela conversa
Que não terminamos ontem
Ficou pra hoje ♫


Marina acordou sem despertador. Preguiçosamente olhou para a janela e deparou-se com um belo dia de outono, mais um das suas férias. O que fazer hoje?

Enquanto escovava os dentes, lembrou-se que havia acabado de ler "Pollyanna" no dia anterior e não tinha mais nenhum livro para ler. Ir até a livraria era uma boa opção para passar aquela manhã. Tomaria seu café por lá mesmo, enquanto folheava alguns exemplares, escolhendo qual levar.

Calçou seus tênis All Star de cano preto longo com um sorriso bobo nos lábios. Era tão bom começar o dia com uma perspectiva tão boa de entretenimento.  Saiu do apartamento assoviando "Always on my mind", sua música favorita. Seu bom humor era inabalável.

***

Chegando à livraria, encaminhou-se diretamente para a área de lançamentos, gostava de estar sempre em dia com os acontecimentos literários. Foi passando a vista em uma capa aqui, uma sinopse ali e, quando viu, já era portadora de uma pilha de 7 livros. 

- Ok, melhor ir com calma. - Ela pensou, seguindo para o segundo andar , onde ficava o café. 

Olhava embevecida para a primeira capa da pilha. As nuances furta-cores pareciam brincar com seus olhos a cada passo. Estava tão entretida, que acabou esbarrando em alguém e todos os livros voaram para o chão, fazendo um imenso estrondo. Abaixou-se rapidamente, sentindo o rosto pegar fogo de vergonha. 

Odiava chamar atenção para si mesma. Enquanto recolhia os livros notou um par de mãos masculinas que a ajudavam na tarefa. Eram grandes e fortes e ela automaticamente se interessou pelo seu gentil dono. Ao se levantar, já com os livros empilhados novamente nos braços, aproveitou para fazer uma varredura discreta no rapaz à sua frente. All Star Azul, calças jeans desbotadas, uma camisa de malha preta escrita em letras brancas "Elvis, THE KING". Numa das mãos, "Os Contos de Meigan". Barba por fazer, óculos de armadura quadrada e negra. Belos olhos azuis, cabelos castanhos claros e lisos. Parecia preocupado.

- Desculpe, te machuquei?

- Não, não, tudo bem.

- Posso te pagar um café? É o mínimo que eu posso fazer...

- Não há necessidade, sério.

- Por favor, eu insisto. Quero tirar essa primeira má impressão.

- Ok...

Ele, então, estende os braços para pegar os livros que estão com ela. Incrédula, Marina os passa para ele, sem nenhum comentário adicional.

- O cavalheirismo não morreu! - ela pensa, intrigada e maravilhada.

***

Os livros estão em um canto da mesa, juntamente com duas xícaras de café pela metade, tudo completamente esquecido.

Marina só tem olhos, ouvidos e boca para aquele desconhecido intrigante. Ele é engraçado, espirituoso, inteligente e sarcástico. Ela tem a nítida sensação de que eles já se conhecem, de tão entrosados que estão. 

Emendam um papo no outro, sem nunca ficar sem assunto. Estão no meio de uma risada compartilhada quando a atendente pergunta se pode retirar as xícaras. Marina está a ponto de dizer que não, que ela ainda não está preparada para abrir mão do café e da companhia, quando o desconhecido olha para o relógio de pulso e exclama:

- Deus, estou atrasado! Conversa boa é assim, quando a gente vê, lá se foram horas!

- Você já vai? - ela tenta disfarçar a decepção na voz.

- Infelizmente tenho que ir, adorei te conhecer! - ele diz enquanto se levanta e dá um beijo, um pouco demorado demais, na bochecha dela que cora violentamente.

- Até mais então! - ela diz, tentando parecer animada.

- Até!

A saída é tão intempestiva que ela nem teve tempo de perguntar seu nome, seu telefone, seu endereço, qualquer coisa. Fica observando-o chegar à porta da livraria. Ele se vira e manda um beijo. Ela sorri, como resposta, e o vê sair e se misturar na multidão da rua. Logo o perde de vista.

- É bem tipico meu, o cara perfeito e eu não sei nada sobre ele.  - ela murmura para si mesma. Abaixa os olhos tristes para a mesa e vê que o exemplar de "Os Contos de Meigan" ficou por ali. Pega e o folheia, como se pudesse extrair o cheiro dele dali de dentro. Neste momento, um bilhete cai do livro, ela o pega incrédula.



Marina relê o bilhete três vezes. Será real? Levanta da mesa e encaminha-se para casa. Desiste de comprar um livro para ler, aquele papel de caderno amassado já tinha lhe dado muito o que pensar, mesmo tendo certeza de que sua resposta àquele convite seria sim.



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Posted by PatyDeuner on 1 de fevereiro de 2013 06:00 in , , , ,
Minha música: Sabe (Nando Reis)

Essa é uma história de amor como muitas outras histórias por ai. Um homem e uma mulher que se gostam e são apenas amigos, mas nenhum dos dois tem coragem de se declarar. Porém, devo ressaltar que o início desse romance foi muito interessante, e eu, como boa cupido, incentivei o tímido moço a iniciar sua declaração por um chat, já que parecia tão difícil fazê-lo pessoalmente. E tudo aconteceu no escritório onde todos nós trabalhávamos juntos, em equipe. Quanto à forma de se expressar nessa primeira conversa, nada tenho eu a ver. A criatividade foi do próprio rapaz.

Ele: Sabe,

Ela: O que?

Ele: Quando a gente tem vontade de encontrar
a novidade de uma pessoa...


Ela: Que pessoa? Eu?

Ele: Quando o tempo passa rápido
quando você está ao lado dessa pessoa...


Ela: Entendi...sempre passa rápido demais...

Ele: Quando dá vontade de ficar nos braços dela
e nunca mais sair…


Ela: Isso é novidade pra mim.

Ele:Sabe,

Ela: Hummm...

Ele:Quando a felicidade invade
quando pensa na imagem da pessoa


Ela: Eu sei...

Ele: Quando lembra que seus lábios encontraram
outros lábios de uma pessoa


Ela: Mas eu nunca beijei você...


Ele: E o beijo esperado ainda está molhado
e guardado ali.. em sua boca


Ela: Em minha boca...que se abre e sorri feliz... 

Ele: Quando fala o nome daquela pessoa

Ela: Quero que seja o meu nome.

Ele: Quando quer beijar de novo e muito
os lábios desejados da sua pessoa


Ela: Também quero beijar você.

Ele: Sabe,

Ela: Sei.

Ele: Quando passa a nuvem brasa
abre o corpo, sopro do ar que traz essa pessoa


Ela: Eu já estou aqui.

Ele: Quando quer ali deitar, se alimentar
e entregar seu corpo pra pessoa


Ela: Eu também sinto isso.

Ele: Quando pensa porque não disse a verdade
é que eu queria que “você” estivesse aqui…


Ela: Eu estou aqui!

Ele: Sei...Eu sei.

Ela: Só pra você!

Ele: EU TE AMO!

Levantaram ao mesmo tempo de suas cadeiras, e ali mesmo, em frente a todos, se beijaram apaixonadamente, ao som dos aplausos emocionados de seus colegas de trabalho.
E depois de um tempo presenciei o casamento do casal, com a música de Nando Reis abençoando a união.

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Retrospectiva Literária 2012 by Sammy Freitas

Posted by Samantha Freitas on 31 de janeiro de 2013 07:00 in , , ,

Depois da Nanda e da Paty, chegou minha vez de compartilhar os mundos novos que fizeram parte da minha vida e minha imaginação este ano. Devo confessar que foi um ano level hard (ok, sou meio geek), e justamente por isso, pude passar mais tempo lendo (teve suas vantagens, né!)




O livro infanto-juvenil que mais gostei
Percy Jackson e o ladrão de raios



A aventura que me tirou o fôlego
Jogos Vorazes



O suspense mais eletrizante

O prisioneiro do céu - Carlos Ruiz Zafon


Romance que me fez suspirar

Não li muitos romances (isso me faz tentar lembrar, eu li algum este ano???)


A saga que me conquistou

House of Night
(eu sei, eu sei... é livro de adolescente....)


Melhor livro de fantasia




O livro que me fez rir       

Melancia


O livro que me surpreendeu      

Feios


O personagem do ano     

Bilbo Bolseiro (ok, ok, sei que sou fã de Tolkien)


O casal do ano    
Katniss e Peeta


O melhor livro que li em 2012    

Esperança


O pior livro que li em 2012    

A Cabana

Esses itens abaixo, são por minha conta, não está na retrospectiva das meninas...)

Melhor série histórica
Crônicas Saxônicas, vol. 5 - Terra em chamas



O personagem mais mala do ano 
Ever - série Imortais

O pior livro que não consegui ler inteiro em 2012
Terrível Encanto

O novo-autor/livro dessa safra brasileira de jovens talentos que me encantou



A melhor adaptação para tv/cinema
Aqui houve um empate técnico. Tanto "O Hobbit", que virou filme, como "O Círculo secreto" que virou série (e foi descontinuada, infelizmente) 



Li muito, fui registrando no Skoob (aliás, embora eu já fosse cadastrada lá há anos, somente este ano eu efetivamente comecei a me mobilizar por lá e devo dizer que é um ótimo lugar para trocar livros, conhecer gente nova e inclusive autores iniciantes...)

Eu tinha uma meta inicial de ler 55 livros no ano, mas quase dobre a meta. Li 95 livros. (não consegui chegar aos 100 :-( infelizmente... mesmo com meu filho incentivando, vamos mamãe... só faltam mais 5 livros... (eu simplesmente me recusei a "contar" com livros que tivessem menos de 150 páginas)

Esse ano tenho uma meta maior e pretendo cumprir com certeza, mas não vou poder dizer a vocês quais serão antes de atualizar a minha estante. Como vou participar do Desafio Literário 2013 vocês irão acompanhar minhas resenhas ;-)


Forte abraço!


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Desafio da Imagem

Posted by Nanda Cris on 06:00 in ,
A imagem que a Paty me deu foi esta aqui:


Segue o texto inspirado na imagem:



- Bem vindos à Aeronave XFSQ54. - o alto falante ia dizendo, enquanto os visitantes iam se aproximando - Esta será a nossa 5498º viagem.

Neste momento um burburinho excitado surgiu entre as pessoas. O alto falante continuou seu monólogo, sem se abalar.

- Por favor, dividam-se em gêneros, fazendo uma fila em frente a cada uma das portas da aeronave. Fêmeas, encaminhem-se para a entrada do lado direito. Machos, para o esquerdo. Coloquem sua íris no leitor. Ao completar o exame, aparecerá na tela acima do aparelho o número de sua cabine. Um auxiliar os encaminhará para o local correto.

Todos enfileiraram-se rapidamente, como se houvessem treinado aquilo por muito tempo. A população de Xeón era extremamente cordata, assim, foi fácil todos se organizarem sem nenhum tipo de divergência.
A fila avançava rapidamente. Zimbia mal podia conter sua felicidade. Finalmente conheceria seu par, com quem compartilharia aquela existência. Os governantes sempre pareavam os mais adequados, evitando conflitos, doenças ou qualquer outro problema relacionado a um envolvimento não regulamentado.

- Quem será? - Ela pensava enquanto torcia as mãos suadas. Sua vez estava a cada momento mais próxima. Tinha que se manter calma. Devaneava quando a última menina entre ela e o leitor foi encaminhada para a aeronave. Sentiu os joelhos bambearem, mas manteve-se firme. Não podia recuar agora, finalmente o grande dia chegara!

Encaminhou-se com passos decididos para o aparelho e apresentou sua íris para inspeção. Logo piscou na tela o número 256. Seguiu para o interior da aeronave, sem esperar um convite. Lá dentro um robô-recepcionista a aguardava.

- Olá, senhor Robô. - Zimbia cumprimentou, tentando ser simpática.

- Meu nome é C3PO, Fêmea 256. Siga-me.

Aparentemente este amontoado de peças não era dotado de trato social, então ela não ia insistir. Estava a cada momento mais perto de saber como seria o seu futuro, então, não ia perder tempo e saliva com aquela ferrugem ambulante mal-programada.

Tentou ajeitar os cabelos o mais discretamente que conseguia. Nunca era possível saber se os Avaliadores estavam observando-a pelas câmeras, não queria passar uma imagem de fútil. Mas também não queria aparecer desgrenhada na frente do seu par. Repuxou um pouco a saia mais para baixo. Conferiu o hálito. Estava tão entretida que quase trombou no C3PO que estacou abruptamente na sua frente.

- Cabine 256. - Ele disse enquanto apertava um botão que fez a porta deslizar silenciosamente revelando uma cabine lindamente ornamentada para uma lauta refeição... opa, espera aí. Algo estava errado. Só havia um conjunto para refeição... não deveriam ser dois?!

- C3PO, algo não está certo...

- Nada nunca está errado na Aeronave XFSQ54, fêmea 256. Entre.

Ela entrou sem nem reclamar, de tão acostumada que estava a seguir ordens. O robô então fechou a porta e ela ficou ali, sem saber o que fazer. Encaminhou-se para um sofazinho lateral e sentou-se. Mas logo levantou novamente, não queria amarrotar a saia!

Encarou a porta pelo que pareceu ser um longo tempo. A cada som no corredor, um sobressalto. Mas em todas as ocasiões, não era seu par. Gostaria tanto de saber se essa demora era normal! Aproximou-se da porta. Nenhum botão. Estava presa ali! Sentou-se novamente no sofá, seus pés já estavam doendo. Sentiu um leve tremor. Olhou pela janela.

- Eles estão decolando??? Sem o meu par???

Encaminhou-se para a porta sem se preocupar com os Avaliadores, com C3PO, com os Governantes, com ninguém. Queria uma resposta e queria agora! Começou a esmurrar a porta, chamando:

- Oooooiiiii!!! Tem alguém aííí???

Já sentia os pulsos anestesiados de tanto que os bateu e estava rouca de tanto gritar quando a porta finalmente se abriu e um Avaliador apareceu. Recuou instintivamente, murmurando desculpas incompreensíveis.

- Fêmea 256, primeiramente gostaria de pedir desculpas por esta situação, seu convite foi expedido erroneamente.

- Erronea...?

- Não me interrompa. Você é diferente das outras fêmeas, você tem o dom da visão. As videntes tem um papel muito importante na nossa sociedade, evitando guerras, fome, pestes. Mas isso tudo você já sabe das suas aulas de história da humanidade.

- Sim senhor. Mas eu não sou uma...

O Avaliador levantou a mão, em sinal de protesto, enquanto falava:

- O que eu disse sobre não me interromper? - ele a interrompeu, irritado - Seus genes dizem que você é, e nós nunca erramos um mapeamento. Pois bem, assim que retornarmos você será encaminhada para o campo de concentração GRT672 e lá permanecerá pelo resto de sua vida, trabalhando para nós.

- Mas...

- Sem mas. Isso não é um convite, Fêmea 256. É uma ordem. Recrutamentos não são recusáveis. O Macho 256 nunca existiu. Você está destinada a um futuro maior que procriação.

Ela sentiu as pernas falsearem e quase caiu, mas agarrou-se num último momento na mesa.

- Ce... certo, senhor.

- Aguarde novas instruções após o pouso. - E dizendo isto, o Avaliador saiu, a deixando sozinha novamente.

- Vamos ver se eu sou vidente mesmo - ela falou para si mesma, enquanto se sentava no chão, na posição de lótus. Precisava vislumbrar no futuro um modo de sair daquela armadilha voadora.


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Desafio de Imagem

Posted by Marcinha on 30 de janeiro de 2013 06:00 in , , , , , ,
Há cerca de quinze dias eu estava pensando sobre voltar à ativa na roda dos escritores, mas o medo de estar enferrujada demais sussurava no meu ouvido que eu devia me concentrar apenas nos meus lápis de desenho.
Então eu expliquei a um amigo como funcionava o Desafio de Imagens e pedi que ele escolhesse uma imagem para mim. O texto a seguir é o produto desse desafio encomendado, juntamente com a linda imagem que recebi.
Obrigada, Nar, pela imagem. Fiquei bastante satisfeita com o texto que nasceu dela.

Dia Cinzento


Os dois exércitos se colocaram frente a frente em campo aberto. O exército branco fora reunido e posto em marcha rapidamente, assim que batedores acusaram o avanço do exército negro. Isso apenas foi possível graças a impecável organização militar do reino de Astharg. O capitão de todas as tropas era o responsável por isto, além de ser um guerreiro habilidoso, um estrategista brilhante e um líder reto em sua conduta. Apenas o rei em pessoa exercia mais autoridade que ele no campo de batalha.

As duas imensas tropas se encaravam, imóveis. O silêncio era interrompido vez por outra pelo relincho dos cavalos, inquietos na expectativa do confronto, e o bater de seus cascos no solo. Na tropa branca, com suas capas e mantos alvos cobrindo o dorso de seus animais, os homens estavam concentrados e quietos, atentos ao comando de seu rei. A tropa escura tentava conter-se em sua sede de sangue, temendo a punição de sua senhora. Sabiam que a rainha feiticeira não tolerava indisciplina, e todos os seus servos, embora fossem orcs, elfos negros, goblins e trolls, temiam a fúria dela, bem como seus poderes.

Repentinamente, soprou uma brisa fria. O céu, que estivera claro até aquele momento, acolheu sem protestos a chegada de espessas nuvens. De todas direções uma neblina cinzenta se levantava do solo árido, como se a planície rochosa tivesse se transfigurado em pântano. A bruma se movia implacável, envolvendo os dois exércitos e tudo o mais à sua volta. Logo tudo estava cinzento e opressivo, deixando confortável a turba de monstros, enquanto a claridade do sol acima das nuvens lutava para fazer seu papel e clarear a visão do campo de batalha para os homens do rei.

Callael, o Justo, como era conhecido o soberano de Astharg, fez sinal para que suas tropas esperassem. Assentiu com cabeça para o capitão ao seu lado, cuja identidade estava propositalmente encoberta pelo elmo polido. O rei e seu capitão trotaram à frente, seguidos por apenas mais dois cavaleiros. Callael tentaria a diplomacia, frente àquele ataque sem propósito.

Danthor, cavalgou à frente para encontrar o rei branco. "O Inconstante" era sua alcunha, um apelido bastante válido para um mercenário. Era o único humano na tropa da rainha sombria, e desempenhava a função de estrategista, uma vez que nem mesmo os elfos negros possuíam um cérebro que suplantasse a gana pela batalha. Danthor, o braço direito da rainha, parou seu cavalo frente à montaria do rei. Olhou por sobre o ombro, esperando a aproximação do animal que o seguia. Uma tigresa enorme e cinzenta parou ao lado da montaria do mercenário, e pôs-se a observar o rei e seus homens.

Callael estava um pouco intimidado pela presença daquele animal selvagem, e pelo tamanho que o felino ostentava, mesmo sendo uma fêmea. Até mesmo a batalha tem certas regras, e elas são honradas tanto por homens como por outras criaturas com menos caráter. Mas teria um animal este discernimento? Negando seus receios, o rei ergueu a voz ao líder da tropa inimiga.

- Quem és tu, a quem me dirijo? Tu respondes pelo comando deste exército que invade as minha terras, e por este ataque sem propósito?

- Sou Danthor, o Inconstante, a serviço da rainha Zandara. Comando as tropas da dama sombria na missão de devastar suas terras. O que será um prazer para mim, devo acrescentar. - arrematou com maldade, o mercenário.

- Por quê? - exasperou-se o rei - O que fizemos contra tua nação?

O mercenário riu, como se estivesse se deleitando com alguma piada particular. Encarou o capitão, ao lado do rei. A enorme felina também o encarava, como se espreitasse uma presa. O capitão do rei retirou seu elmo, revelando a pele branca e os olhos azuis. Encarou a fera à sua frente por um momento, ignorando Danthor. Em seguida se dirigiu ao rei.

- Meu senhor, permite que eu assuma?

- O que poderia resolver o meu capitão, mais que seu rei? - retorquiu Callael, ferido em seu brio, em parte por sentir-se secretamente intimidado pela fera que continuava a observá-los.

- Meu senhor... pai. - implorou o capitão - Agora entendo que é um assunto meu. Me dê sua permissão, por favor.

O rei assentiu, e recuou sua bem treinada montaria cerca de um metro, deixando o capitão na dianteira. O príncipe então ergueu a cabeça, desafiador. Estava no comando agora.

- Por que acha que me intimidará mais que seu velho? - provocou Danthor.

- Cale-se, verme. - rosnou entredentes o capitão - Meu assunto é com a tigresa. - e, dizendo isso, desmontou de seu cavalo.

A imensa felina agitou-se, franzindo o focinho e exibindo as presas num rosnado ameaçador, enquanto serpenteava a cauda no ar. Por um breve momento pareceu que atacaria o homem de pé a sua frente, ignorando sua armadura completa. Mas algo inusitado aconteceu. A fera balançou a cabeça em negativa e começou a transfigurar-se, livrando-se da sua forma animal. Numa metamorfose impressionante, a tigresa deu lugar a uma mulher de pele cinza, que se empertigou em frente ao capitão, encarando-o com o queixo erguido e um fogo devorador no olhar.

Apesar do aspecto cinzento, que denunciava sua condição de morta viva, a mulher possuía um beleza marcante e exótica. Tinha cabelos longos e negros que se derramavam até a cintura, e uma boca pequena e feminina que estava contraída num ódio mortal. As formas do corpo eram sólidas e volumosas, numa constituição própria de uma mulher que possui habilidade com armas pesadas. Mas seu dom maior vinha de seus poderes de feiticeira, e a força das trevas transparecia nela através das íris acesas como brasas. Vestia uma túnica ocre, com longas fendas laterais, o que deixava suas pernas e parte seu tronco à mostra. Calçava sandálias de tiras douradas que pouco lhe cobriam os pés, arrematadas por fitas que lhe ziguezagueavam pernas acima, terminando em uma amarrado nas coxas. Na testa alta ela trazia uma tiara de ouro, com a face da morte estampada no centro. A rainha era terrível e bela, a ponto de descompassar a respiração do capitão a sua frente.

- Não tenho nenhum prazer em revê-lo, príncipe Chaerlisson. - disse a senhora sombria, com sua voz rouca e impregnada de veneno - Que assunto pode ter comigo, que já não tenha sido dito na sua despedida?

- Zandara... - ele proferiu o nome dela em tom firme, mas suave - Eu sinto muito. Eu lamento o que aconteceu, mas está além da minha decisão. Eu tenho obrigações com meu reino.

- Lamenta o que aconteceu... Exatamente o que você lamenta? A sua partida repentina ou todo o tempo que passamos juntos? - sua boca se contraía ao final de cada frase, os seus olhos pareciam querer-se incendiar.

- A minha partida. O seu sofrimento. O meu sofrimento... Zandara. - ele afirmou com convicção - Mas é preciso que seja assim.

- A sua princesinha é mais rainha que eu? - indagou a feiticeira com desdém - Qual a vantagem em desposá-la? Ela nem mesmo senta-se ainda ao trono de sua nação!

- Zandara, esse casamento será a aliança entre o reino dela e o meu. Trará muito benefício para o meu povo, que sofre com a fome e a seca. Belrim é um terra próspera e as transações comercias que irão...

- Você a ama? - interrompeu-o a rainha sombria, como se tentasse apunhalá-lo com suas palavras.

- Não!! - esbravejou ele, com os olhos arregalados de indignação - Não, Dara... eu não a amo. - ele cruzou os dedos à nuca, e arrastou as mãos pela barba até o queixo, num gesto de profunda frustração - Sabe que só há uma mulher em meu coração. Ou não consegue mais acreditar em minhas palavras?

- Eu lhe ofereço meu reino, Charlie, meu querido. Meu trono. Meu corpo. Meu poder. Pegue tudo o que você quiser. - ela mantinha a voz firme, mas seu rosto era uma súplica desesperada.

- Dara... - o príncipe tentava escolher palavras que não a machucassem tanto - Dara, minha rainha... seu povo é selvagem, sem nenhum ofício; suas terras foram devastadas por eles. Seu reino... não pode acrescentar nada ao meu povo. Zandara, você não tem nada a me oferecer, a não ser essa paixão que me assola, queimando meu corpo e meu coração dia e noite. - ele sustentou o olhar dela, que havia endurecido novamente, despejando nele ódio e repulsa. - Eu não posso ser seu. Meu povo precisa de mim.

A rainha sombria tinha então o rosto transtornado de tal maneira que toda a sua beleza se fora, dando lugar a uma face vingativa, como uma máscara de mau agouro. Ela assentiu com a cabeça como se concordasse, mas seus olhos de fogo revelavam os pensamentos que lhe ardiam  por dentro, como óleo fervente.

- Belrim é que recusará esta aliança, depois da batalha de hoje, Chaerlisson. - ela sussurrou entredentes, como uma serpente chiando antes do bote - Ao fim deste dia, seu reino não será mais que cinzas e escombros!

- Zandara, não! - ele ordenou, mas em vão; ela nem mesmo o ouviu.

- Danthor! - ela chamou, cheia de fúria - Lidere meu povo à vitória! Quero sangue, fogo e devastação cobrindo esta terra agora! Matem todos!!!

- Pelo poder de Zandara! Vitória ou morte, criaturas sombrias! - gritou o Danthor, apontando para frente sua espada, e avançando com sua montaria -  Pela rainha! À batalha!

A turba de monstros grunhiu como feras confinadas e avançou seguindo Danthor, brandindo suas rústicas armas em busca do sangue adversário. O príncipe montou imediatamente e empinou seu cavalo, erguendo com orgulho o estandarte do rei, enquanto bradava palavras de comandado aos seus homens, instigando o ataque.

Em meio a névoa, Zandara se desmaterializou rapidamente, deixando para trás o campo de batalha.



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Desafio duplo respondido!

Posted by Denize Ternoski on 29 de janeiro de 2013 06:00 in , , , ,
Resposta ao desafio das 5 frases e de imagem.
Frases:

Me dá só um momento que estou tentando pensar!
O brilho do aço cruzou o céu como um relâmpago.
Não dava para entender nada do que ele dizia.
A boa música sempre faz milagres.
E crescia cada vez mais.

Imgem:

A Maldição da Faia

Quando António Augusto decidiu construir seu palácio, o Palácio e Quinta da Regaleira*, há uma centena de anos atrás, imaginou que muitas histórias se passariam ali. Histórias místicas, dotadas de personagens corajosos, até sobrenaturais. Mas nunca imaginou que uma história com esta poderia acontecer em seu palácio...
Joanah e Jonas eram irmãos gêmeos. No auge de seus dezesseis anos, ambos tinham corpos atléticos e eram ruivos. Seus pais eram Irlandeses, mas fugiram de sua terra natal assim que os gêmeos nasceram, pois devido a uma maldição, o povo unanime, desejava a morte das crianças. Puseram-se em um navio e foram parar em Portugal, um pais de língua e costumes diferentes, e desde então vinham tentando viver em paz ali.
A casa humilde ficava nos arredores de Braga, numa vila pacata chamada Vila Verde. Os pais trabalhavam num mercadinho de alimentos e os gêmeos cresceram sem nunca frequentar uma escola, pois a família não tinha dinheiro para pagar uma. As crianças tinham uma dificuldade enorme para aprender a ler e escrever, então os pais teriam que pagar uma escola especial para eles, e sem o dinheiro necessário os gêmeos cresceram sem serem alfabetizados.
Mas apesar desse pequeno problema, tudo fluía bem. Mal sabiam eles que, mesmo não estando em sua terra natal, a maldição se realizava.
Ao nascer os filhos gêmeos ruivos de uma gêmea ruiva nascida em Cork, a árvore da discórdia nasceria. A árvore da discórdia era uma faia**, cujos frutos eram castanhas que cresciam envoltas em uma bolota de espinhos. A diferença é que nessa faia específica, sua bolotas eram de um vermelho vivo, muito chamativas.
Tudo não passava de uma desavença muito antiga. Havia em Cork uma bruxa, ela não fazia mal a ninguém, mas ela adorava essas castanhas específicas, mas a árvore é um tanto rara e havia apenas uma pessoa que ela conhecia que tinha em seu quintal uma árvore dessas. Era uma mulher ruiva e que tinha um irmão gêmeo. A bruxa sempre ia até a casa da mulher pedir-lhe castanhas, e esta nunca lhe dava uma sequer.
A mulher teve dois filhos, também gêmeos, e tentou ensinar-lhes a odiar a bruxa. A bruxa, que era muito boa de coração, sabia que não era culpa das crianças que sua mãe tivesse esse preconceito com ela, e começou a tentar se aproximar das crianças, trazia-lhes presentes que fazia, roupas, brinquedos de madeira e pães, e as crianças começaram a sentir a gentileza da bruxa.
Um dia contaram a sua mãe que a bruxa lhes visitava e que era uma mulher muito boa, pediram que ela não tivesse mais preconceito. A mulher, irada, foi até a casa da bruxa, que estava sob a luz do luar fazendo uma oração ao lado de uma pedra-altar em seu jardim. O brilho do aço cruzou o céu como um relampado, e sem aviso nenhum a mulher enfiou  uma faca em seu peito, dizendo que ela deveria pagar com seu sangue por ter se aproximado e encantado seus filhos com bruxaria.
A bruxa, que até então tinha feito tudo de bom coração, nunca cometera uma ato de maldade e tentava ao máximo não usar seus poderes se não fosse para ajudar o próximo, ficou extremamente irada e magoada com a atitude da mulher em querer sua morte.
Nos segundos em que ainda suspirava para a morte e esvaia-se em sangue, lançou uma maldição: sempre que filhos gêmeos ruivos nascessem de uma gêmea ruiva, uma arvore da discórdia nasceria para cada um deles, e a cada ano que completassem mais uma arvore nasceria em algum lugar, e a única forma de acabar com a maldição viria do coração dos gêmeos.
Quando finalmente morreu seu sangue irrigou a terra e ali mesmo no outro dia via-se uma árvore grande e cheia de frutos. As pessoas começaram a colher seus frutos, mas cada uma que tocava em algum fruto ou na árvore em si, era dominado por uma ira incontrolável, e começava a brigar com qualquer um que estivesse em sua frente. Quem se espetasse com os espinhos do  fruto causaria repulsa nas outras pessoas e teria que viver sozinho pelo resto da vida, sofrendo um preconceito inexplicável. Já quem conseguisse comer o fruto adoeceria e teria uma morte lenta.
Aquela foi a primeira árvore, para que todos soubessem que a maldição era verdadeira, e muitos tentaram cortar a árvore, mata-la, mas só crescia e crescia cada vez mais. Desde então o povo começou a caçar todo filho gêmeo oriundo de uma gêmea já ao nascer, para que não se espalhassem muitas árvores dessas pela cidade. Sendo assim haviam apenas umas quatro delas, de quatro crianças que nasceram e foram tiradas dos seus pais e mortas com facadas no coração, mas suas árvores continuavam crescendo fortes e belas.
Os moradores as cercavam e colocavam placas impedindo o acesso às árvores, mas sempre tinham alguns que ignoravam a maldição e se aventuravam a tentar pegar seus frutos, que eram extremamente mais vistosos que qualquer outro.
Os pais de Joanah e Jonas acreditavam que se tirassem as crianças de sua terra natal a maldição não prosseguiria, e só no aniversário de 16 anos dos gêmeos, quando ao amanhecer, encontraram uma faia enorme bem no meio do quintal, que crescera da noite para o dia ali mesmo, em Portugal, e já dava frutos, é que perceberam que o esforço fora em vão. A maldição prevalecia e tinha alcançado a eles.
Os pais avisaram aos filhos que jamais tocassem em qualquer coisa oriunda daquela árvore, e quando os filhos pediram explicações o pai, Mathews, começou a xingar e dizer pragas em português, inglês e até numa língua um pouco mais antiga, não dava para entender nada do que ele dizia. A mulher, Alicia, tentou em vão controlar e acalmar o marido, que de tão irado que estava com a maldição, sofreu um infarto e morreu ali, na frente da família.
Os filhos deixaram passar apenas dois dias do enterro do pai, e inconformados que estavam, pediram a mãe uma explicação plausível sobre o que realmente estava acontecendo, e esta lhes contou tudo sobre a maldição, e disse-lhes que a essa altura já deveriam ter outras 31 árvores espalhadas pela Irlanda (considerando que não tivesse nascido mais nenhum gêmeo), e que o país deveria estar em guerra e muito debilitado, se muitas pessoas já estivessem tocado em seus frutos até então.
Os gêmeos pensaram, pensaram, e chegaram a conclusão que um deveria matar o outro, com uma facada no coração, para que a maldição acabasse. Por sorte a mãe descobriu o plano antes que se completasse, acabando com a burrada dos dois.
- Ora, e vocês acham que mataram os nenês gêmeos como? Isso não resolve, a solução tem que ser outra. – ela disse, e concluiu. – Sei de um lugar não muito longe daqui, e mesmo que tenha sido construído aqui, faz parte da cultura do nosso povo. Lá talvez vocês encontrem a resposta.
E a mãe levou-os numa viagem até Quinta da Regalia, um lugar muito, mas muito misterioso e lindo. E lá deixou-os, eles deveriam seguir sozinhos pelo poço iniciático, para ter as revelações de que precisavam, pelo menos era nisso que a mãe acreditava.
E eles desceram por uma imensa escadaria em espiral, imaginando que aquela descida não acabaria nunca, e quando finalmente chegaram ao chão pisaram em uma estrela de oito pontas, simbolizando a perfeição e o poder da Mãe Terra, e ali sentiram um poder gigantesco repuxar cada membro de seus corpos.
Seguiram então pelos corredores labirínticos e escuros, que eram o caminho de volta para a superfície, ambos totalmente calados, cada um sentindo dentro de si como se fossem mais poderosos, mas sábios. Mas ainda não haviam encontrado a solução.
Jonas então parou, no meio daquela escuridão, e desabou exausto no chão úmido. A irmã tentou levantá-lo pelo braço, também estava exausta, mas sentia que a resposta estava muito perto.
- Me dá só um momento que estou tentando pensar! – Jonas a repreendeu, angustiado.
- Não pense, - Joanah respondeu. – lembre da maldição e siga apenas o seu coração, esqueça os pensamentos.
Jonas suspirou e com muito esforço se pôs em pé e voltaram a caminhar. Agora, tentando se concentrar em seus sentidos, também sentiu a força que Joanah estava sentindo, caminharam as escuras sentindo aquela força até uma parede, sentiam a força vindo dali, mas não encontravam porta alguma. Joanah, levada por seus sentimentos, começou então a tatear a parede e uma porta secreta se abriu, entraram, mas num primeiro momento não viram nada além de mais escuridão e ouviram o baque da porta fechando-se atrás deles.
Só então perceberam algo brilhando em meio a escuridão. Aproximaram-se, era um linda harpa dourada. Primeiro os dois olharam maravilhados para o instrumento, e então, sem aviso nenhum, Jonas (que nunca havia tocado nenhum instrumento em sua vida) começou a dedilhar a harpa e uma melodia muito linda surgiu. Ele tocava freneticamente e Joanah, por instinto,  começou a cantar em uma língua muito antiga, que só em seu coração entendia o que dizia a musica. Era uma bela musica de amor e reconciliação.
De repente não estavam mais no meio das pedras e da escuridão, estavam de volta à frente do Palácio, ao lado de Alicia, tocando. Uma lágrima escorreu dos olhos da mãe e eles pararam.
Conversaram por pouco tempo, os irmãos contando-lhe o que haviam descoberto, eles tinham o dom para a musica, e aquela harpa era um presente mágico, provavelmente se outros gêmeos estivessem vivido encontrariam a harpa em qualquer outro lugar, enquanto seguiam seu caminho de sabedoria. Disseram à mãe que voltariam à terra natal e acabariam com a maldição, a mãe temeu por seus filhos, mas em seu coração sabia que eles conseguiriam.
Quando lá chegaram, a Irlanda estava realmente tomada por conflitos e mortes, e quando o povo mais antigo viu os gêmeos, na hora souberam que eram os que fugiram, e vieram até eles prontos para mata-los, com ódio nos olhares. Os gêmeos rapidamente começaram a tocar e cantar, e as pessoas que antes estavam tomadas pelo ódio, começaram a dançar alegremente.
Os gêmeos continuaram a tocar, e por todo lugar que passavam as pessoas ficavam alegres e se abraçavam, ou dançavam.
Quando chegaram então a árvore da discórdia mais antiga, a primeira, puseram-se a cantar mais freneticamente. A árvore começou a chacoalhar-se, seus galhos pareciam ter vida, e de um vermelho vivo ela começou a se transformar num verde maravilhoso, um verde alegre.
Ao terminar a canção, os gêmeos foram os primeiros a colher, cada um, um fruto da árvore, e comeram. Nada aconteceu, a castanha estava doce e maravilhosa. A maldição tinha acabado e todas as árvores antes malditas, agora davam frutos maravilhosos.
- Papai sempre dizia, a boa música faz milagre. – Jonas disse, e os dois se puseram a rir aliviados.

*A Quinta da Regalia fica em Sintra, Portugal. Para saber mas clique http://www.cm-sintra.pt/Artigo.aspx?ID=2907
**Faia é um nome dado para várias árvores, a que escolhi para o texto é popularmente conhecida como castanha portuguesa. Visualize-a clicando aqui (antes) e (depois) Aqui




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Desafio musical - Para Sammy!

Posted by PatyDeuner on 28 de janeiro de 2013 09:20 in , ,
Não poderia deixá-la  fora desse desafio não é Sammy? Demorei um tempo pra escolher uma música, porque queria algo que combiná-se muito com você. Desisti de procurar quando percebi que você é indescritível! Então lembrei de uma música que sempre adorei cantarolar pela casa, embora sempre errava algumas estrofes porque ela é imensa! Devo admitir que pode ser um pouco difícil escrever algo sobre ela porque contém muitas informações gerais...ou uma única informação, se pararmos pra pensar...eu diria que a definição pra ela seria apenas "viver".

Sammy...escreva um texto sobre a música "Diariamente - Marisa Monte"

Boa sorte!


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Desafio Musical - Para todas!

Posted by Samantha Freitas on 07:00 in , ,
desafio - de.sa.fi.o

sm (de desafiar1) 1 Ação de desafiar. 2 Competição. 3 Provocação. 4 Folc Folguedo sertanejo, em que se canta e se dança à porfia.

Meu primeiro desafio no blog tem muito mais do que uma provocação, ou competição. Se um desafio começou com folguedos e danças, porque não nossas super mulheres não poderiam fazer um desafio a la songfic?




Eu explico... o desafio desta vez, consiste em algo diferente... Vou "dar" uma música de presente para cada uma das meninas, e elas escreverão uma história, usando algum trecho da música ou a música em si, como se fosse um farol para sua narrativa.

E aí meninas? Topam esta??? 

Seguem as músicas-desafio. Cabe lembrar, que eu escolhi uma música para cada uma que eu acredito que seja crucial para que elas se sintam mais que desafiadas... Para que elas tirem uma lição das músicas. A princípio, eu tinha escolhido para todas, músicas em inglês. Mas... por mais que o Santo Google esteja por aí, disponível e sempre prestativo para traduzir, resolvi pegar algumas músicas nacionais, que não deixam a desejar pela sua beleza e cadência. Chega de falar! Seguem as músicas!!!


Denize: Legião Urbana - Mais uma vez




Giulia: Rita Lee - Ovelha Negra



Marcinha: Ana Carolina - Trancado


Nanda: Cássia Eller - All Star


Paty: Nando Reis - Sei




Espero que o desafio seja prazeroso para vocês!


E agora? Quem me desafiará????


PS. Só a título de curiosidade, se eu tivesse colocado músicas em inglês, minhas escolhas seriam estas:



Denize: I believe I can fly (R. Reily)
Giulia: Spending my time (Roxette)
Marcinha: I want to break free (Queen)
Nanda: Always on my mind (Elvis Presley)
Paty: Viva la vida (Cold Play)


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Exposição "Sagrada Família" - Centro Cultural dos Correios / RJ

Posted by Samantha Freitas on 27 de janeiro de 2013 06:00 in , , , , , ,

Lulu Santos, acha válida "toda forma de amor". Nós, do Retalhos Assimétricos, achamos válidas toda as formas de cultura. Então, o que seria apenas um encontro para um lanche e bate-papo no Centro do RJ, eu e Nanda, retalhenses de carteirinha resolvemos visitar algumas exposições e transformar em um verdadeiro Encontro Cultural.

Ao todo visitamos 6 exposições: 
- Vida em Movimento - Exposição de Fotografia - Centro Cultural dos Correios
- Sagrada Família - Esculturas Arte Popular/Barroca - Centro Cultural dos Correios
- A história do Dinheiro - Centro Cultural Banco do Brasil
- Galeria de Valores - Clementina Duarte - Centro Cultural Banco do Brasil
- História do Banco do Brasil x História do Brasil - Centro Cultural Banco do Brasil
- Arte Contemporânea - Zona Temporária - Centro Cultural Banco do Brasil

Mas estarei comentando especialmente a exposição que mais nos marcou: a Exposição da Sagrada Família. 

A sinopse do folder dizia: 
"A Sagrada Família - Artes Barroca e Popular Brasileiras em exposição no Centro Cultural Correios - A vida de Cristo e sua família foram, e ainda são, fontes de criação”, afirma Romaric Sulger Büel, curador da exposição “A Sagrada Família”, que reúne cerca de 100 obras de importantes colecionadores das duas expressões artísticas, dando ao visitante a possibilidade de conhecer uma das mais importantes matrizes das artes visuais brasileiras."

Aguçou nossa curiosidade e subimos por um elevador antiquíssimo. Lá, nos  surpreendemos com a mistura da Arte Popular com a Barroca. Muitos artistas que estão em “A sagrada família” são anônimos. Isso, porque o curador achou que era mais importante organizar e valorizar a fé do que destacar o autor.

A Sagrada família foi retratada por mãos nordestinas, mineiras, nortistas. Mas além da Sagrada Família, encontramos uma peça com os passos da Crucificação.

Na primeira parte da exposição, em sua grande maioria, havia presépios. Argila  era o material mais utilizado. Em sua grande maioria, os primeiros itens da exposição lembravam muito itens de artesanato vendidos na famosa Feira Nordestina no Pavilhão de São Cristóvão.

Não sou uma pessoa que me impressiono fácil, já que morei 6 anos morando no interior de MG e posso dizer até que muitas das peças me pareciam bastante familiares. Mesmo assim, fiquei impressionada com a riqueza de detalhes. 

Nanda me chamou a atenção para a beleza e perfeição de narizes minúsculos. Fiquei procurando tal beleza, já que a maioria dos narizes eram tortos, outros meio batatais, outros mais compridos.. Porém, todos eram perfeitos em sua composição e combinavam com perfeição nos rostos modelados.

O segredo da exposição? Misturar Arte popular com Barroca... Artistas anônimos. Não vi uma obra sequer de um artista conhecido. Estamos viciados demais em gente de sucesso e muitas vezes, esquecemos que são justamente os anônimos, que intuíam iluminados como deveriam amassar e transformar argila em peças expressivas. Nada daquelas fôrmas para criar peças iguais, em série. Cada uma das peças expostas, era especial, perfeita e única. 

Alguns presépios me surpreenderam MUITO. Havia um em especial... Enorme, e tinha quase uma fazenda inteira em volta do estábulo. Não me venha com essa história que o presépio tem que ter um boizinho, uma vaquinha, uma ovelhinha... Esse presépio era muito diferente. Chamou minha atenção por me parecer muito mais compatível com a realidade do nascimento de Jesus. Se foi mesmo num estábulo ou manjedoura, na verdade nunca saberemos. 

Mas se foi realmente neste lugar como dizem, posso dizer com todas as letras, que esta obra me marcou. Ela tinha um brilho todo especial mesmo sendo totalmente era esculpida em madeira e numa cor nogueira escura. Não havia cores, mas havia dezenas de bois, camelos, ovelhas. Até mesmo um urso identificamos ali. Sério. isso tornava tudo muito mais real. Não era uma peça de cada, era exatamente como deve ter sido na realidade. Um rebanho inteiro somente de ovelhas, pastoreadas. Acima do estábulo, dois anjos e uma galinha. Outra grande surpresa para mim... O que uma galinha estaria fazendo no telhado e ainda cercada por anjos? O que aquele artista quis nos dizer? Ele certamente, cercado de fé, entusiasmo e alegria, foi além das palavras e descrições da bíblia. Ele provavelmente teve uma grande inspiração que seu talento fez questão de transformar numa peça perfeita e única. 

Mais adiante, começaram as peças individuais. Nossas Senhoras com Menino Jesus. Não sou católica e não conheço a história dos santos/santas da Igreja Católica, mas pude notar a repetição da imagem de algumas santas. Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora Desatadora dos nós estavam presentes em várias peças. Argila, madeira, tronco de coqueiro. 

Uma peça em argila com detalhes finíssimos e de uma perfeição gritante. Eu já tentei modelar argila. Nem te conto como é difícil, caro leitor. Mais difícil ainda é conseguir fazer detalhes tão pequenos e finos no rosto e nas dobras dos seus mantos. Precisa muito mais do que talento. Precisa de dedicação. E isso, torna cada peça única.

Nessa ala de arte mais popular, essas peças foram as que mexeram com minha imaginação, que mexeram com minha alma, que tocaram meu coração. 

E então, passamos para a ala barroca. Tudo muito igual, muito certinho.  Muito cheio de frufrus e rostos arredondados. Consigo reconhecer Arte Barroca a quilômetros de distância. E não foi diferente ali. Peças lindas, mas parecidas demais entre si. 

Uma das últimas peças na área barroca, encontramos uma estátua enorme de uma Nossa Senhora que não reconhecemos. E ao olharmos sua mão, percebemos dedos chamuscados, quebrados e faltantes. Não, meus amigos, embora lepra fosse uma doença comum naquela época, não acredito que o artista que a modelou, a tenha cogitado a hipótese de moldá-la incompleta. 

Infelizmente, no Brasil, ainda existe muito descaso na conservação de obras, manutenção e restauração das obras. O que é uma pena, pois esse, é o legado da arte que deixamos para nossas gerações futuras.

Só para finalizar, podem até me chamar de "pobre de mau gosto", mas preferi mil vezes o colorido e imaginação dos artistas da área popular...


Exposição “A Sagrada Família”
Visitação: 24 de janeiro a 3 de março de 2013 - terça a domingo 12h às 19h 
Entrada franca
Centro Cultural Correios (Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro 2253-1580)



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Resenha "O Conde de Monte Cristo, vol 1" - Janeiro - Desafio Literário 2013

Posted by Nanda Cris on 06:00 in , ,
Janeiro é um mês livre no Desafio Literário 2013, e como eu já estava querendo ler "O Conde de Monte Cristo" para um Café Literário do grupo Leitores Vorazes que também ocorreu este mês, resolvi unir o útil ao agradável e utilizar este livro no meu DL de janeiro.

Como sou completamente avessa à clássicos, sempre os evitei. Mas já que seria obrigada a ler um, resolvi fazê-lo em grande estilo. Comprei a versão da Martin Claret que contém o texto integral. Devido à dificuldade da leitura, resolvi resenhar apenas o primeiro volume, pois não será possível ler o segundo (mais 600 páginas) em apenas 4 dias que me restam no mês.



Sem mais delongas, vamos à resenha!


O livro retrata a transformação do personagem principal, Edmund Dantès, que deixa de ser um inocente imediato de um navio, que sempre tenta ver o lado bom das pessoas, e passa a ser um homem que busca uma vingança implacável contra aqueles que destruíram sua vida.

Dantès mal podia acreditar em sua sorte: era amado por Mercédès e já estavam com as bodas marcadas, o Sr. Morrel havia acabado de nomeá-lo capitão de um imponente navio, seu pai, o Sr. Louis Dantès, encontrava-se bem de saúde e teria uma vida melhor com o aumento de salário do então capitão do Faraó. Tudo corria a contento e Edmund apenas agradecia a Deus.

Mas então, a inveja de 2 homens e o medo de outros 2, transformaram toda a sua vida, e fizeram-no ser jogado à prisão, sem direito a julgamento, acusado de ser um bonapartista por ter em seu poder uma carta que o antigo capitão do Faraó o havia incumbido de entregar na Ilha de Elba.

  • Danglars - Queria ser o capitão do navio, posição alcançada por Edmund.
  • Fernand - Cobiçava Mercédès, a noiva de Dantès.
  • Gaspard Caderousse - Ouviu todo o plano de Danglars e Fernand e julgou ser apenas um sonho pois estava bêbado demais para distinguir realidade e delírio. Quando a prisão se desenrolou, teve medo de intervir e se absteve.
  • Gérard Villefort - Filho do destinatário da carta que Dantès tinha em seu poder. Para preservar sua posição no reino de Luís XVIII jogou-o na prisão sem direito a defesa.
Após ser preso, apenas seu antigo patrão, seu pai e sua noiva lutaram por sua liberdade. Mas até mesmo um influente comerciante como o Sr. Morrel estava com as mãos e os pés atados. O que poderiam fazer um velho sem recursos e uma catalã pobre?
Na prisão, quando estava quase enlouquecendo, Edmund conheceu Faria, um abade que todos consideravam louco por sempre falar de uma grande fortuna que o esperava fora das muralhas do Castelo de If. Mas de insano ele não tinha nada. Surgiu então uma forte amizade entre eles. Dantés aprendeu muitas coisas com Faria, e é graças à riqueza e ao conhecimento do abade, que surgiu o Conde de Monte Cristo.

Mais, não posso contar, senão estragaria a surpresa. Dei apenas uma pincelada no início da estória, fazendo um resumo bem sucinto das primeiras 136 páginas. Perdoem essa que digita essas mal traçadas linhas. Não sei como resenhar sem colocar um belo pano de fundo por trás. Você ainda terá outras 490 páginas para se deliciar com a fuga cinematográfica de Dantes da prisão, o modo como ele parabeniza quem lhe estendeu a mão e, a melhor parte, que é cheia de reviravoltas: seu intrincado plano de vingança.

O que mais me interessou em toda essa estória até o momento (não podemos esquecer que ainda não li o volume 2!) é o modo como é escrita. Primeiro que não é o português mais descontraído que encontramos nos livros de hoje. Olhe esta frase, que me arrepiou toda quando eu li, vale ressaltar, e me diga se este é o nível da leitura a que estamos acostumados ultimamente?!

"- Muito bem - disse o desconhecido - adeus bondade, humanidade, gratidão!... Tomei o lugar da Providência para premiar os bons... agora me ceda Deus Vingador o seu lugar para castigar os maus!"

E olha que esta frase é até light em comparação com o resto do livro. É o tipo de literatura que se sua atenção se desviar por meio segundo para pensar na novela de ontem e seus olhos continuarem correndo o texto sem ver, quando você volta, está mais perdido que cego em tiroteio.
Outro efeito colateral da dificuldade da escrita: quando retomamos a leitura depois de um longo tempo, tipo dias, demoramos um pouco para entrar no ritmo. Eu sempre pensava assim: "Deus, como eu estava conseguindo entender isso?", mas nada que a persistência não resolva.

Mais uma coisa muito interessante: tudo nessa estória tem um porquê. Se o autor falou que uma borboleta veio e pousou na mão do protagonista no décimo segundo dia de janeiro, com a lua em virgem, pode contar que este fato vai ser usado mais para frente e terá uma explicação de ter sido narrado. Não há pontas soltas, todos os personagens e fatos se encaixam e a magia disso é absurdamente deslumbrante. Como o próprio Conde falou:

- Ah! aí é que está a arte: para ser um grande químico, no Oriente, é preciso encaminhar o acaso, e isso se consegue.

E, seguindo esta premissa, Monte Cristo, com uma frequência assustadora, molda o destino ao seu querer. Todos os envolvidos achavam que o conheciam e que haviam ficado seus amigos por acaso, mas sempre havia um plano intrincado por trás que apenas alguém que aguardou durante 13 anos poderia tecer.

Este livro me fez ansiar pelo segundo volume de 600 páginas e me fez perder o preconceito contra clássicos. O único risco que corro é achar os livros contemporâneos mais rasos que uma poça de chuva. Mas isto fevereiro me dirá, pois o próximo livro do DL2013 é um "livro que nos faça rir" e para esta tarefa escolhi "Samantha Sweet, Executiva do Lar". :-)



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