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Desafio de ano Novo by patydeuner - Continuação

Posted by PatyDeuner on 12 de janeiro de 2013 11:00 in , ,
Fui desafiada pela Sammy a escrever uma estória para o Pedro, um pobre rapaz preso que na noite de ano novo fez um telefonema para um número aleatório e conheceu Júlia.

As palavras do desafio são:

Amofinar - Displicente - Abismado - Labuta - Manchil

Júlia acordou com o barulho dos fogos ainda latejando em suas têmporas. Taças e mais taças de espumante somado a um estômago vazio contribuíam para seu lamentável estado físico. Não conseguiu comer nada e nem dormir direito depois do telefonema daquele homem. Sacudiu-se para fora da cama limpando os pensamentos enquanto decidia que precisava comer algo para silenciar seu estômago. A casa estava um caos e todos pareciam estar dormindo ainda. Chegando na cozinha foi logo abocanhando uma fatia de rabanada fria e murcha. Enquanto mastigava lembrou novamente do pobre homem dizendo “Normalmente é só um mexido de arroz com feijão mesmo.”
Aquilo a fez perder totalmente o apetite. Ao que parecia, tudo hoje a faria lembrar-se dele, então desistiu de lutar contra os pensamentos.Tinha vontade de conhecê-lo e saber mais da sua história. Não sabia bem porque mas sentia que a escolha do seu número não era só uma coincidência. Foi até o telefone verificar as chamadas recebidas e lá estava o número. Seus dedos tremeram em antecipação a discagem. Deveria mesmo ligar? E se fosse um assassino cruel e doente? Aquelas idéias revolviam-lhe o estomago, mas discou mesmo assim.

- Delegacia de Polícia.

- É...ahmm...bem ,eu gostaria de saber a respeito de um preso. O nome dele é Pedro.

Tentou.

- Pedro de que senhora?

- Não sei.

- Temos mais de 40 presos aqui no momento senhora. Poderia ser mais objetiva?

- Só sei que o nome dele é Pedro e gostaria de fazer uma visita.

- Hoje é feriado minha senhora, então não temos visita.

- Bom mas, não poderia abrir uma exceção? Não posso durante toda a semana e é muito importante pra mim.

- Seria só a senhora nessa visita?

- Sim, apenas eu. E poderia por favor verificar pra mim sobre esse Pedro...como ele está no momento?

- Bem, deixe-me verificar nos arquivos aqui. Temos dois detentos com o nome de Pedro. Pedro Alcântara e Pedro Augusto Lancelloti. Qual seria?

Tentando parecer o mais displicente possível, arriscou um dos nomes. Lancelloti parecia sugestivo.

- O segundo senhor. Pedro Augusto Lancelloti. Quais são as acusações dele?

- Não damos informações dos presos senhora. É contra as normas da delegacia.

- Tudo bem então. Obrigada.
... 


Quando ela estacionou na entrada da 5ª DP no Centro, suas pernas começaram a tremer tanto que pensou seriamente em voltar atrás. Por que estava fazendo isso? Por que não esquecia de vez essa história? Vinha se perguntando durante toda a longa trajetória de sua casa em Botafogo até ali, mas não achava resposta alguma. A única coisa que tinha certeza é que iria se amofinar para o resto da vida se não conhecesse o tal homem. Foi com esse pensamento que firmou as pernas da melhor maneira que pode e entrou na delegacia.
... 

Pedro tentou se ajeitar melhor no canto do seu catre de forma que sua coluna não doesse tanto. Depois que desligou o telefone, embalou-se nas lembranças da doce voz de Júlia e adormeceu ali mesmo, agachado ao lado das barras frias de ferro. Rejeitou o pingado com pão seco da manhã porque não se sentia bem, mas agora os efeitos dolorosos do estômago vazio cobravam seu preço. A labuta diária da prisão era ainda pior quando se estava com fome.

-Visita detento!

O grito do policial o ensurdeceu tanto quanto o som retumbante de suas batidas nas barras de ferro.
Nem se importou com o anúncio, imaginando ser a lamentável mãe de Caco, seu companheiro de cela, que roncava sonoramente em seu canto.

-Pedro?

Há meses não escutava seu próprio nome ser pronunciado por alguém, e antes de voltar-se ao encontro daquela voz sentiu um calafrio correr-lhe a espinha. Era a voz de Júlia. Sua mente nunca mais esqueceria aquele doce som.
Reunindo toda a sua coragem virou-se para olhá-la. Ficou completamente abismado com a beleza da mulher parada ali, atrás das grossas grades. Cabelos escuros e cacheados escorriam pelos ombros e os olhos eram verdes e profundos. Usava um vestido muito elegante e sua postura revelava uma mulher de classe.

-Você é a Júlia? Do telefonema?

-Sim. É você mesmo Pedro?

-Sou eu. O que está fazendo aqui? Como me achou?

-Eu...bem...você desligou muito rápido ontem. Eu queria conversar mais.

-Sei. Não é a resposta para o que perguntei. Mesmo assim não deveria estar aqui. Isso não é lugar pra você.

Pareceu mais ríspido do que gostaria, mas estava muito nervoso com a presença dela.

-Não me quer aqui?

-Não! Não é isso..é só...é tão bom conhecer você que não sei nem o que dizer. É isso.

-É bom conhecer você também Pedro. Engraçado...pensei encontrar alguém mais gordo. E mais baixo. E bem mais velho.

Ela deu uma risadinha tão graciosa que ele sorriu também, com o peito aquecido.

-Pois você é exatamente como imaginei. Tão linda quanto sua voz.

Ela enrubesceu estendo pra ele o que tinha nas mãos.

-Trouxe pra você. Está meio bagunçado por que revistaram tudo na entrada, você sabe como é.

O pacote revelou algumas rabanadas e grossas lascas de peru que exalaram um cheiro tentador. Seu estômago urrou em antecipação, mas forçou-se a ser educado.

-Obrigado Júlia. Estou mesmo com fome.

-Então coma.

Queria comer mas também queria desfrutar da companhia dela. Queria saber mais dela.

-Então vamos fazer assim. Eu como e você fala. Conte-me mais sobre você.

-Não Pedro.

-Não?

-Não. Tenho que ser sincera. Vim aqui porque precisava te conhecer. Quero que me conte tudo sobre o que você fez e como veio parar aqui.

-Você é mesmo direta. Não precisa me conhecer Júlia. Não vale a pena. Só vou te dizer uma coisa. Foi um acidente. Mas isso não me redime. Agi de forma violenta e irracional. Eu sou assim Júlia. Um monstro irracional. Então não vale a pena me conhecer. 


A expressão dela foi de desapontada a determinada em fração de segundos.

-Não importa. Se vale a pena ou não, somente eu posso julgar. Sinto decepcioná-lo, mas se quer um julgamento justo da minha parte vai ter que se abrir. Ou sairei daqui com a imagem de um manchil em suas mãos assassinando alguém. 

Ele sabia que não era justo esconder dela o sangue que sujava suas mãos, afinal era por sua culpa que ela estava ali em primeiro lugar. Deixou o pacote de comida sobre o colchão e se aproximou mais, colocando as mãos bem próximas as dela na grade.

-Tive uma namorada que amava demais. Ou pelo menos era isso que achava, porque hoje eu vejo que...era mais uma doença...não sei explicar. O ciúme me cegava sempre. Não podia vê-la sequer falando ao telefone com alguém que exigia explicações. Levava-a e buscava-a no trabalho, almoçava com ela, ia ao dentista, ao supermercado, a igreja, enfim...queria estar com ela todo o tempo e sempre repetia a mim mesmo que essa obsessão era pelo amor que sentia por ela. Hoje eu sei que esse não era o verdadeiro motivo. Sou um homem doente e irracional. E me irrito muito facilmente. Transformo-me em um homem muito violento quando pensamentos obscuros ocupam minha mente. Então um dia brigamos realmente sério, e ela parou de atender minhas ligações. Não saiu de casa todo o dia e não quis falar comigo. Esperei pacientemente que ela superasse nossa briga e voltasse a me procurar. Naquele mesmo dia fui a um bar lá em Botafogo onde costumava encontrar com alguns amigos pra ver se conseguia desacelerar um pouco minha ansiedade. E lá estava ela, abraçada com um amigo meu. Descobri depois que era só um abraço e ela chorava a minha falta em seu ombro. Mas na hora eu virei um monstro. Um gosto amargo de traição subiu como bílis pela minha boca e eu não vi mais nada. Quando dei por mim, meu melhor amigo estava caído debruçado sobre a calçada e sangue escorria da sua cabeça. Acho que entrei em estado de choque ou alguma coisa assim por que...não me lembro o que aconteceu. Só conseguia ouvir gritos enquanto uma correria se formava ao redor do bar. Eu não me lembro de tê-lo matado mas...ela gritava “Você o matou, você o matou!” Até hoje não tenho certeza do que aconteceu naquela noite. Meu defensor público usa a defesa de homicídio culposo, sem intenção de matar. Uma briga de bar que acabou em acidente. Ele não conseguiu se comunicar com ninguém que esteve ali naquele dia, e essa minha namorada sumiu do mapa. Ninguém conseguiu achá-la até hoje pra prestar depoimento. Como posso culpá-la? Provavelmente só está fugindo de um homem louco. Doente. Mas Júlia...eu posso sentir bem aqui no fundo que foi mesmo um acidente sabe? Eu nunca mataria alguém, muito menos um amigo! É tão frustrante não lembrar! 

Quando terminou de falar estava com a testa encostada nas mãos de Júlia. Sentiu quando ela abriu as palmas de encontro a sua cabeça e parou repentinamente, como se em dúvida se isso era o correto a fazer. Então levantou a cabeça e fixou seu olhar no dela. Ela parecia calma, pensativa.

-Pode me julgar agora. Mas por favor, não vá embora com a imagem de um assassino. Pelo menos enquanto eu não provar que eu não fui capaz de fazer aquilo. 

Ela continuou em silêncio por um bom tempo antes de se afastar e dizer concisa.

-Quero falar com seu advogado. Quando será seu julgamento?

-Você não...Júlia, quero que vá embora agora e esqueça que me conheceu. Você já teve o que queria. Conheceu o homem que te perturbou em plena noite de ano novo. Eu já desabafei, adorei conhecer você, mas é só. Já me ajudou mais do que pode imaginar Júlia. Por favor vá embora agora.

-Estarei de volta assim que puder Pedro. Você acaba de conhecer sua futura advogada. 


Ela virou-se e saiu, enquanto ele abria e fechava a boca sem proferir uma única palavra.

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Regrinhas para pegar um livro emprestado...

Posted by Samantha Freitas on 11 de janeiro de 2013 08:00 in , ,
Bom dia... meu nome é Samantha Freitas e eu sou viciada em livros.

Comecei aos três anos de idade... No começo, eram só as figuras que me interessavam... depois, parti para os gibis... livrinhos com poucas frases.

Hoje estou incontrolável. Não consigo passar um dia sequer sem ler pelo menos a legenda de um filme... a bula de um remédio... as palavras do closed caption da tv e o pior de tudo... os livros... Para que eu possa ficar plenamente satisfeita, eu preciso de livros com mais de 250 páginas. Eu os cheiro, compro em promoções, sebos, feiras literárias... Troco mais livros do que consigo ler...

Pois é... se você se identificou com meu texto, você é das minhas... é uma viciada em livros. O que sim, é um vício bom... Mas aí, com o tempo, você estende esse vício de leitura para o vício obsessivo de acumular livros... e ele ainda consegue evoluir mais ainda...

Do momento que você é viciada em livros, para o momento que você começa a comprá-los é um pulo, mas aí tem um terceiro momento... Aquele em que seus amigos vão te visitar e dão de cara com suas estantes com seus livros... A maioria, não tem a menor noção do perigo... E sai pegando, tirando os livros da estante, folheando... aquilo vai te enlouquecendo até que.... Eles finalmente ultrapassam todos os limites e pedem algum livro emprestado.

Dificilmente dizemos "NÃO" de cara... sempre queremos ser simpáticos, generosos, gentis... Mas ao mesmo tempo, você precisa proteger os seus... filhos...

Então, pensando nisso, com ajuda de alguns amigos na net, bolamos uma lista de regrinhas que é devidamente entregue junto ao livro emprestado... Segue abaixo a reprodução das regras! 

Funciona tão bem, que 60% dos meus amigos, depois de ler, nem leva o livro emprestado :-)



Parabéns!

Se você está levando um livro emprestado, é porque eu confio em você e sei que você será cuidadoso (a) o suficiente para estar com ‘meu precioso’.  Amo discutir sobre as estórias, os personagens e comparar as opiniões. Eu até empresto o livro com relativa boa vontade, mas se me devolver sujo, rasgado, amassado ou até descascado, esqueça, nunca mais...
Pois é... Livros para mim são quase como “O UM ANEL” do Gollum, então elaborei algumas regrinhas básicas para você levar meu livro...

     Todo livro que é emprestado, deve voltar;
Pense nisso como a lei da gravidade... Tudo que sobe, tem que descer, então...

     Escolha um livro de cada vez;
Não, você não pode pegar mais de um livro por vez, leia um e quando terminar eu te empresto outro.

     Se pegar um livro, LEIA;
Sério... depois de todo esse estresse para tirar o livro da minha preciosa estante, onde ele faz a maior falta, fica aquele buraco, seus irmãos livros lamentando sua saída... e você deixa o pobrezinho abandonado em casa? No way! Melhor nem levar, se está sem tempo para ler, deixa para pegar emprestado quando você estiver com mais tempo disponível.

     Não deixe o livro em qualquer lugar;
Acredite...  Merdas acontecem. E normalmente acontecem justamente quando estamos com algo que não nos pertence. Não deixe o livro espalhado pela casa. Não leve o livro para o banheiro ou cozinha... Sempre vai ter alguém que vai derrubar algo nele, ou seu bichinho de estimação pode atacá-lo ou mesmo até a empregada guardar em algum lugar e ele nunca mais ser encontrado. NÃO DEIXE ISSO ACONTECER!

     Não coma e leia ao mesmo tempo;
Não estou preocupada com sua saúde e nem se faz mal ou não para a digestão se você está comendo e lendo. Desculpe, mas eu estou mesmo é preocupada com a integridade do meu livro... Não coma nem biscoito, nem pão... Aqueles dedinhos engordurados, com migalhas, brrrr me deu até arrepios só de pensar... Se possível, lave até mesmo as mãos antes de ler o livro, rs

     Marque o livro somente com marcadores, papéis e afins;
Eu sei que existem aquelas orelhas no livro que tecnicamente existem para isso, mas já viram como isso estraga o livro? Amassa tudo e os deixa com uma aparência horrível, desleixada, como um bêbado às 4 da manhã. Eu sempre empresto livros com marcadores, use-os! Resista ao impulso de dobrar a página do livro pra marcar, eu sempre encontro essas dobras (por menores que sejam) e vou ficar muito aborrecida se você fizer isso.

     Não rabisque, escreva, marque o meu livro.
Às vezes há frases e diálogos que gostamos tanto que queremos marcar. Não faça isso. Nunca! Não quero saber se você não tinha nenhum papel em mãos naquele momento, NÃO RABISQUE os meus livros! Nada, nada mesmo, justifica isso.

     Não vire a página com saliva.
Acho que é até desnecessário fazer algum comentário adicional...

     Não escancare o livro para ler, ou o dobre no meio.
Sério, eu nem nunca imagino que uma pessoa que eu confio, faria isso, mas, sempre é bom avisar né? Vai que...

.   Nem todos os livros que eu tenho eu empresto.
Sério, Sim, existem alguns livros que eu simplesmente não empresto, não insista...

Depois de ler as regras, sorria e acene e de preferência, se você for tão neurótico quanto eu sou... não empreste!









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Escrever profissionalmente ou por hobby: o que é melhor para a sua carreira literária?

Posted by PatyDeuner on 10 de janeiro de 2013 16:00 in , , , ,
Texto escrito por: Henry Alfred Bugalho no Blog do Escritor
Na íntegra.
A ambição de muitos escritores diletantes é a de poder largar seu emprego atual e, um dia, viver somente com o lucro de sua escrita. Normalmente, este anseio é resultado de uma visão distorcida dos sucessos estrondosos de alguns best-sellers, ou pelo romantismo de algumas sofridas figuras clássicas da Literatura.

Durante anos, como vários autores, escrevi amadoramente em meu tempo livre, sonhando com a possibilidade de tornar-me um autor profissional.
E, desde algum tempo, tenho sido escritor em tempo integral, ganhando o pão com a vendagem de meus livros e com a minha escrita.

Vou lhes apresentar as duas faces desta moeda, duas perspectivas sobre cenários literários que se complementam.

Escritor amador X escritor profissional

Muita gente se aproxima cheia de dedos quando se trata de realizar uma distinção clara entre escritor amador e profissional. Inclusive, alguns defendem que é de definição impossível, pois existem amadores que se dedicam muito mais à carreira literária do que profissionais.

Longe de querer esgotar esta discussão, apresentarei a minha definição.

O critério único e fundamental de determinação entre escritor amador e profissional é monetário.

Um escritor profissional difere-se do amador por obter toda sua renda, ou boa parte dela, através de seu ofício.
Como ser escritor não é um título, que se possa obter numa faculdade, qualquer um que decida sentar-se para escrever meia dúzia de páginas já pode ser considerado um escritor amador, independentemente do grau de competência ou comprometimento.
Já um escritor profissional é aquele que faz da escrita a sua carreira e seu sustento, que paga suas contas com a escrita, que depende dela para sobreviver.

Não se trata de nenhuma distinção qualitativa, como se profissional fosse melhor do que amador. Inclusive, em se tratando de liberdade criativa, um escritor profissional possui restrições muito maiores do que um amador, pois depende de vários critérios exteriores, como a aprovação de editores, do público, ou de outras instâncias de legitimação.
Um escritor amador pode querer agradar somente a si próprio, sem se importar muito com a opinião dos demais e, muitas vezes, esta é uma das condições para a criação de obras-primas.

A escrita como passatempo
Entendamos a escrita como passatempo não como falta de seriedade, mas como alguém que se dedica à atividade somente em suas horas vagas, às vezes, sem pretensão alguma de abandonar sua ocupação atual para converter-se em escritor profissional.

Muitíssimos grandes autores da Literatura possuíam um emprego principal, escrevendo durante o tempo livre. Guimarães Rosa e Vinícius de Moraes eram diplomatas; Jorge Luis Borges foi funcionário público; Kafka, advogado; Cortázar e Fernando Pessoa, tradutores; existe um sem fim de grandes escritores que possuíam ocupações tradicionais, como professores, engenheiros, médicos, psicólogos, políticos, donas de casa, etc. e que, às escondidas, produziam seus contos, romances e poemas.
Alguns até chegaram a realizar a transição entre o diletantismo e o profissionalismo, mas vários prosseguiram em suas profissões, produzindo Literatura num segundo-plano.

Existem algumas vantagens em escrever como hobby:
- liberdade criativa irrestrita. Não há ninguém para lhe ditar o que você pode ou não escrever, tampouco para impor-lhe prazos ou condições;
- produzir não é uma obrigação; você pode escrever quando bem entender, se quiser, como quiser.
- não há a necessidade em pensar na Literatura como um produto;
- ter um trabalho que o ponha em contato constante com outras pessoas é uma rica fonte de inspiração para histórias.

Já as desvantagens podem ser:
- falta de disciplina; como não se trata de um trabalho, pode não haver um compromisso real com a escrita;
- pouco tempo para dedicar-se ao ofício. Ao dividir seu tempo disponível entre um trabalho oficial e a escrita, haverá menos oportunidades para produzir, promover seu trabalho e aperfeiçoar-se;
- o risco de alienar o leitor. Quando um escritor devota-se a escrever somente para si, há a possibilidade de produzir obras que ninguém, além dele mesmo, queira ler.

A escrita como profissão

Geralmente, esta é uma etapa posterior. Inicialmente, começa-se a escrever por puro prazer, porém, aos poucos, quando a atividade se torna mais séria, é dado um passo além para a profissionalização.

Antes de tudo, vale lembrar que são bem poucos os autores que realmente fazem a vida somente com a venda de livros. Não é impossível, mas é pouco provável que isto ocorra com a maioria dos escritores.
Os ditos escritores profissionais podem até receber valores consideráveis com a venda de seus livros, mas frequentemente suas obras os projetam para outros tipos de atividades remuneradas, como palestras, oficinas, traduções, jornalismo, e assim por diante.
De certo modo, mesmo com muitos autores profissionais, a escrita acaba sendo uma atividade remunarada secundária, que alavanca ganhos através de outros canais. Pois para sobreviver exclusivamente com a vendagem de livros é preciso vender muito e vender sempre, o que não é para todos os escritores.

A escrita profissional é relativamente recente e os grandes autores profissionais se concentram nos países desenvolvidos, com mercados editoriais fortes. No Brasil, quem se propõe a escrever profissionalmente acaba recaindo, em algum momento, no periodismo, e há uma lista imensa de grandes autores brasileiros que dividiram seu tempo com crônicas em jornais e revistas, ou mesmo como repórteres.
Há um duplo benefício em se aliar à imprensa, pois através dela é que o autor poderá comunicar-se com seus colegas e conseguir atrair publicidade para seus trabalhos literários.
Com uma oferta tão imensa de obras sendo publicadas todos os meses, o compadrio acaba sendo uma poderosa força no mercado editorial brasileiro. "Quem não se comunica, se trumbica", já diria o sábio Chacrinha.

Não é fácil ser um escritor profissional e, não raro, alguns se decepcionam com o cenário que encontram. Um caso notório foi o de Aluísio Azevedo, autor de "O Cortiço", que assim que conseguiu um emprego público, largou a escrita para nunca mais voltar.
Nada prepara um escritor para as agruras da profissionalização, pois produzir um livro de sucesso é uma loteria. Não há garantias que uma obra venderá, ou que a crítica a aprovará. Ser um escritor profissional é caminhar na corda bamba, sem segurança alguma, sem nenhuma certeza.

As vantagens de ser um escritor profissional são:
- todo o tempo para produzir e pesquisar;
- há um prazer especial em ganhar para fazer aquilo que gosta.

Já as desvantagens da profissionalização são consequências diretas dela:
- obrigação de escrever constantemente, mesmo quando não há disposição;
- é uma carreira incerta, repleta de altos e baixos, com momentos de grandes sucessos e outros de total indiferença;
- nem sempre se ganha tanto quanto se imaginava.

Conclusão

Para muitos autores, a profissionalização é uma grande etapa almejada e, certamente, possui algumas evidentes vantagens. Todos nós queremos trabalhar com aquilo que amamos, que nos dá alegria, que nos realiza, mesmo que nossa renda não seja tão extraordinária.
Por outro lado, há uma diferença brutal entre escrever por prazer quando se tem vontade e a obrigação cotidiana de acordar sabendo que você terá de escrever qualquer coisa, mesmo que não acredite mais no que está fazendo.

Há escritores que produzem mais e com maior qualidade quando são amadores, mas que se desesperam no momento em que se profissionalizam. Enquanto há aqueles que, ao poderem se dedicar completamente ao ofício, florescem e atingem seu máximo potencial.

Certamente, não existe uma fórmula aplicável a todas as pessoas, o que é a realização para uns é a ruína de outros. O essencial é jamais perder o deslumbramento pelo ofício da escrita e, a partir do momento em que escrever começar a tornar-se um martírio, rever as escolhas feitas.

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Desafio do Desafio - Para a Paty

Posted by Samantha Freitas on 14:00

Paty,

Seu texto postado no dia 10/01/13 sobre o Desafio de Ano Novo, foi MUITO legal. Mas eu, como uma boa leitora, fiquei curiosa sobre a estória do Pedro... Então...

Desafio você a escrever uma estória para o Pedro, este pobre rapaz preso, porém como indulto de ano novo que foi-lhe permitido dar um telefonema...

As palavras para seu desafio são:

Amofinar
Displicente
Abismado
Labuta
Manchil


Boa sorte, guria! Conte para nós como esse moço foi parar lá dentro!


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Uma estante que cresce com a biblioteca

Posted by PatyDeuner on 13:00 in , , , ,


Lembrei logo de você Nanda, cuja biblioteca não para de crescer, e acho que a Sammy também não fica atrás. Essa estante vai aumentando à medida que você tem mais livros para guardar, e tem um design maravilhoso. Já vi várias estantes criativas por ai, mas essa eu realmente gostaria de ter. A REK é uma criação do Reinier De Jong Design, e pode ser manipulada conforme a necessidade. É linda até vazia.

Vi no blog menosumnaestante



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1º Desafio do Ano!

Posted by PatyDeuner on 10:00 in , ,
Olá Retalhenses!

Vamos começar o ano agitando os neurônios num desafio de imagens.
Não coloquei desafio para todos, mas é só solicitar que depois integro ao post.

Para Nanda: Achei essa imagem bastante sugestiva e tenho certeza que algo fabuloso vai sair dai. Um almoço numa aeronave chiquérrima? Hummm...


Para Sammy: Escolhi uma imagem mais surreal pra testar sua criatividade Sammy. Já senti que você é mais acostumada a lidar com estórias  cotidianas e motivacionais, então resolvi lhe dar um verdadeiro DESAFIO!!!


Para Kbeça: Bom amigo...eu sei que você não se pronunciou a aceitar um desafio e está muito mais reservado ultimamente, mas....não resisti e vou mandar o desafio assim mesmo. Achei essa imagem tão, tão...tudo a ver com seu momento, tipo só observando do seu cantinho. Mas vamos fazer o seguinte: se caso você não se identificar com o desafio e não quiser fazê-lo, outra pessoa pode pegar no seu lugar. E se ninguém quiser pegar eu mesma faço. Aceita o desafio?

Para Giulia: Bem vinda aos desafios Giulia! Essa é a foto de um castelo no sul da Alemanha, o Castelo de Neuschwanstein, construído por Luis II no séc.XIX. Mas essa informação é a título de conhecimento. Seu texto não precisa necessariamente relatar essa informação. É preciso apenas se inspirar  na foto e deixar sua imaginação voar! Boa sorte!





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Desafio de Ano Novo by Patydeuner

Posted by PatyDeuner on 08:00 in , , ,


-Alô?

-Oi.

-Quem ta falando?

-Você não me conhece mas...

-Para de brincadeira Jorginho!

“Silêncio”

-É o Jorginho né?

-Posso ser se você quiser.

-Então...seja lá quem for pare de passar trotes porque não tem graça!

-Por favor, por favor não desliga!!!

-Diga quem é então!

-Já disse. Você não me conhece, mas poderia conversar comigo um pouco? Só posso fazer essa única ligação!

-Olha eu...

-Sua voz é tão linda! Está se divertindo nessa noite de ano novo?

-Eu não sei direito. Todos aqui parecem estar se divertindo, mas eu me sinto meio sozinha...sei lá deslocada. Nem sei por que estou dizendo isso se nem te conheço!

-Talvez porque você precise conversar com alguém também. Meu nome Pedro. E o seu?

-Júlia. Pode me dizer um pouco sobre você pra eu me sentir melhor? Conversar com estranhos é...estranho.

-Não sei se posso dizer muito. Tenho medo que você desligue.

-Você parece angustiado. Está com problemas? Precisa de ajuda? Olha, eu posso chamar alguém pra ajudar você.

-Ninguém pode me ajudar Júlia. Eu mereço o que está acontecendo comigo. Mas esta noite era pra ser especial sabe, e não posso ligar pra ninguém que conheço. Todos querem distância de mim.

-E o que exatamente está acontecendo com você?

-Se eu disser promete que não vai desligar o telefone?

“Silêncio”

-Ai. Você está me deixando com medo.

-Não precisa ter medo. Só quero conversar mesmo. A noite parece estar tão linda! Já posso ver alguns fogos daqui. Já começou a queima de fogos de Copacabana? Acho que posso ouvir a TV...

-Pedro...aonde você está agora? A noite apenas parece linda pra você?

“Um som embargado de choro e mais silêncio”

-Pedro? O que está acontecendo? Você está chorando!

-Não...eu só...eu...

-Pedro olha...pode falar o que está acontecendo. Eu estou ouvindo você. Prometo que não vou desligar.

-Tudo bem. Vou te contar. Mas não se assuste. Sou um bom homem esperando a hora pra redimir os meus pecados.

-Estou ouvindo Pedro.

-Estou agora numa cela de prisão, agachado o mais longe que posso de uma privada suja e fétida. Meu companheiro de cela já está apagado, enrolado em seu próprio canto, mas posso ouvir os resmungos dos outros presos. Acho que a penitenciária está lotada. Tem uma janelinha pequena que é muito alta, mas consigo ter um vislumbre de clarões no céu que só posso julgar serem os fogos da virada começando. Minha cela fica perto da sala de guarda e parece que o vigia está com a TV ligada, porque posso ouvir alguma coisa dos fogos daqui. Serviram coxa de frango hoje acredita? O vigia disse que era um presente de ano novo. Normalmente é só um mexido de arroz com feijão mesmo. Eu tinha direito de fazer apenas uma ligação nessa noite, e como não tinha ninguém pra ligar...escolhi um número qualquer. E sabe de uma coisa? Estou muito feliz que tenha sido você Júlia. Muito obrigado por me escutar, e compartilhar um pouco do seu tempo comigo. Muito obrigado mesmo.

-Pedro...

-Adeus Júlia. Desejo toda a felicidade do mundo pra você.

E desligou.



Todo e qualquer ser humano merece a chance de se redimir e se tornar uma pessoa melhor.
Que o ano de 2013 seja de perdão e carinho com aqueles que mais precisam, e podemos começar incluindo-as em nossas orações.
FELIZ ANO NOVO

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Impossível...

Posted by Samantha Freitas on 9 de janeiro de 2013 08:00 in , , ,


Estamos no início do ano... Todos empolgados com a virada, textos e mais textos cheios de superação... E aí esquecemos de umas coisas super simples que são os nossos próprios limites.

Trazendo as reminiscências do meu passado, lembrei de uma professora de português que me marcou muito. Lembro que para nos fazer pensar, ela nos desafiou com uma questão... (talvez de alguma maneira, ela estivesse me preparando para os desafios do blog...)

"Escreva uma frase com a palavra SIM querendo dizer não e outra frase com a palavra NÃO querendo dizer sim."

Aparentemente algo bem fácil... SIM e NÃO, duas palavras... sentidos claríssimos. E aí como uma poderia ter o significado da outra, se eram tão opostas? Aliás, opostas não... antônimas... que mania de não nomearmos corretamente as coisas! Enfim... o desafio foi lançado e eu gostaria muito de dizer que fui a única gênia que conseguiu criar as frases. Mas não fui. Aliás (eu já disse que amo aliás? É minha palavra favorita!)... Aliás, ninguém acertou o desafio. Éramos pré-adolescentes acostumados com preto no branco, com 2+2=4...

E aí, a minha velha professora, deu um grande sorriso e nos mostrou que SIM e NÃO daquela forma, isolados, não poderiam ter seus significados mudados. No entanto, quando estão ao lado de outras palavras, era possível.

E nos mostrando como podia ser simples, ela rearrumou as palavras no quadro e mostrou como eles mudam seus significados...

"Pois sim!" dito com rispidez, equivale naturalmente a um não. Já o "Pois não!" dito com gentileza, é naturalmente um sim. Simples assim... Entonação, jogo de palavras... Bastaria que tivéssemos usado essas expressões e teríamos acertado.

Da mesma maneira, devemos olhar a palavra "Impossível". Isoladamente, é tudo aquilo que não é possível. É aquilo que não conseguimos, aquilo que parece absurdo conseguir.

E aí, meu amigo, é a hora de brincar com seu significado. Vamos seguir a lógica da minha velha professora... Vamos colocar o "impossível" em outros contextos. 

O que é impossível para mim, pode não ser para você... ou para ele... para ela... O que é impossível hoje, pode ser possível amanhã. O que foi impossível ontem, ficou no passado, hoje pode ser possível. E o que é possível hoje, amanhã será algo até mesmo banal...

Por isso, gostaria que todo mundo, unisse num único pensamento e em 2013, nós sepultássemos o impossível. O impossível morreu, agora não existe mais e ninguém se lembra dele. Ele agora se transformou. O impossível tornou-se possível na nossa mente, na nossa imaginação, nos nossos sonhos.

Mas o impossível só se tornará possível quando tivermos coragem de romper nossas próprias limitações. Rompamos as barreiras! Acreditemos em nós! Aceitemos nossos medos... Respeitemos nossos limites.

Não se envergonhe dos seus limites. Lembre-se: O que é impossível hoje, é só uma questão de tempo para mudar... 

Só precisa que você dê esse primeiro passo...




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Arriscar!

Posted by Nanda Cris on 8 de janeiro de 2013 10:30 in ,
Nunca se é velho demais para arriscar!


Obs: Clique na imagem para ver melhor!

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O Tamanho das Pessoas...

Posted by PatyDeuner on 7 de janeiro de 2013 11:37 in ,
Vi esse texto em um blog que gosto muito e achei perfeito! Acho que nosso blog é feito de pessoas ENORMES, que dão tudo de si pra fazer a diferença uma na vida das outras. Somos especiais, inteligentes, humanos e nos importamos com a felicidade de todos no grupo. Pra mim isso é ser GRANDE. Não é à toa que selecionamos tão delicadamente todos que até então entraram no grupo, e todos aqueles que saíram só se foram por eles próprios e são também pessoas especiais que podem voltar a qualquer momento para fazer a diferença junto conosco. Ninguém é pequeno quando faz a diferença para alguém (Paty)





Os Tamanhos variam conforme o grau de envolvimento...Uma pessoa é enorme para ti, quando fala do que leu e viveu, quando te trata com carinho e respeito, quando te olha nos olhos e sorri.

É pequena para ti quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade, o carinho, a consideração,o respeito, o zelo e até mesmo o amor.

Uma pessoa é gigante para ti quando se interessa pela tua vida, quando procura alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto contigo. E pequena quando se desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.

Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos da moda.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.

Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. O nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.

Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente torna-se mais uma.

O egoísmo unifica os insignificantes. Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande... é a sua sensibilidade"


(Ercilia Ferraz)

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