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Desafio de Aniversário do Blog - Patydeuner

Posted by PatyDeuner on 29 de dezembro de 2012 08:00 in , ,
O desafio de aniversário do blog consiste em escrever um texto baseado em um livro que gostamos muito. Então escolhi o livro “As Crônicas de Gelo e Fogo – A Guerra dos Tronos” de George R. R. Martin. 
A morte de Eddard Stark, a Mão do Rei, me deixou tão irada quando li o livro que resolvi escrever uma estória que vingasse a morte dele.

Palavras que devem ser usadas no texto:
Beija-flor - manequim - rosal - destelhadas - afogou-se 

Os personagens principais do meu texto
ARYA STARK

CERSEI LANNISTER

EDDARD STARK

Arya recostou-se na parede de pedra vermelha tentando recuperar o fôlego. Resolveu esperar ali alguns instantes para clarear a cabeça que latejava de dor e cansaço. Após presenciar a decapitação de seu pai, a nova Mão do rei, ela fugiu no meio da multidão atordoada e enlouquecida. Duas vezes sentiu uma pesada mão agarrar-lhe o braço para contê-la, mas conseguiu se desvencilhar do agarre correndo o máximo que podia. “Escorregadia como uma enguia”. Pensou. Serpenteou por toda a vila rodeada pelos altos muros da Fortaleza Vermelha procurando um abrigo onde pudesse sentar e chorar sua dor, mas o risco era grande demais para ficar parada. Algumas casas estavam abandonadas, mas totalmente destelhadas, então não serviam de muita ajuda como esconderijo. Foi quando um beija-flor passou rasante sobre sua cabeça e entrou por uma das seteiras baixas que davam para os porões do castelo que teve a ideia. Não entendeu o que um pássaro desses podia querer ali, mas lembrou-se dos labirintos de pedra subterrâneos. Então se arrastou como uma cobra pela abertura e caiu de costas no chão duro e úmido batendo a cabeça tão forte que por um momento pensou que ia desmaiar. Teve que se arrastar mais um pouco antes de por-se de pé novamente devido à pancada na cabeça, mas não se deteve nem um segundo. A escuridão foi aumentando à medida que se embrenhava pelos corredores, atravessava longos salões sombrios e subia inúmeras escadas em espiral, até que se sentiu segura o suficiente para parar. Escorregou as costas pela parede fria até encontrar-se agachada segurando fortemente os joelhos de encontro ao peito e afogou-se em seu choro até secar-se por dentro sentindo sua própria vida desaparecer. 
...
Acordou tão vazia quanto às florestas geladas do norte. Avaliou a escuridão ao seu redor e supôs que dormira o suficiente para que a noite caísse. Há um tempo atrás percorreu aqueles corredores durante uma caçada ao gato de uma orelha só. Era dia e a escuridão não era tão densa. Não que houvessem janelas ou algo parecido, mas seus olhos podiam perceber, assim como seu coração. Sentiu o vento rodopiar a sua volta e teve certeza do lugar onde estava. No topo do grande poço negro que parecia mergulhar nas profundezas da terra. Era um poço muito largo, e em suas paredes haviam laminas de pedras que sobressaíam como degraus. Fora ali que ouvira dois homens conspirarem a morte de seu pai enquanto escalavam as pardes do poço.
“- Se uma Mão pode morrer, por que não uma segunda?”
Estremeceu lembrando-se das palavras que ouvira naquele dia e que agora faziam parte da sua dolorosa realidade.
O rei Joffrei Baratheon coroado após a morte de seu pai Robert Baratheon era um bastardo sem direito ao trono, mas sua mãe Cersei conseguiu subjugar a todos numa conspiração mais do que odiosa. Quando seu pai pronunciou a verdade do relacionamento incestuoso da rainha Cersei , ela declarou-o um traidor da coroa. Lord Eddard Stark morreu honrando sua casa e seus princípios, mas essa honra não o traria de volta. Ela tinha que vingar-se por ele.
Suspirou várias vezes recobrando a determinação e, firmando o agarre de sua mão sobre Agulha, continuou sua caminhada pelo corredor sem janelas, afastando-se daquele poço profundo e de suas lembranças.
Quando encontrou a pesada porta de carvalho com ferragens gastas e ruídas, seu coração se acelerou e o suor nervoso escorreu por sua nuca. Essa era a entrada. Quando forçou o ombro sobre ela ouviu um ruído seco vindo do outro lado e estagnou, não ousando nem respirar. “Silenciosa como uma sombra, disse a si mesma, leve como uma pena”. Os ensinamentos de Syrio Forel, seu instrutor, vinham o tempo todo em sua mente, e eram muito mais do que úteis agora. Eram fundamentais. Parecia que uma porta havia sido aberta e logo vozes inquietas tornaram-se nítidas aos seus ouvidos.
- Achem a garota seus inúteis! Arya é uma Stark e igualmente uma traidora.
- A viram perto do rosal ao entardecer e depois não se teve mais notícias.
- Bom, não quero saber. Quero-a até o raiar do dia.
A resposta dos homens foi quase um resmungo e portanto indecifrável. Logo os passos dos cavaleiros foram vindo em sua direção e o medo rasgou sua mente como navalha. “O medo golpeia mais profundamente que as espadas”. Se viu recitando e concentrando sua atenção em Agulha que agora estava firmemente empunhada esperando que a porta fosse aberta. Mas não aconteceu. Passaram direto e muito tempo depois os passos e as vozes desapareceram.
Esperou o que pareceu ser uma eternidade para tentar abrir a porta novamente, e quando o fez o ruído foi tão alto que parecia poder acordar a Fortaleza inteira. Escorregou para dentro e encontrou-se no grande átrio principal. Era um salão sombrio mas luxuosamente decorado com tapeçarias que mostravam vívidas cenas de caça e peças de aço que outrora foram usados em batalhas. Poucos archotes estavam acesos naquela hora e as sombras projetadas lhe causavam arrepios. Foi atravessando o salão em passadas curtas e atentas. A sombra de um enorme manequim de cavaleiro atravessou seu caminho, e num giro rápido postou-se em ataque com o agarre firme em Agulha. “Rápida como uma corsa”. Mas era só um manequim , e tentou recompor-se do susto. “Calma como águas paradas”. Agora já estava perto, muito perto de sua vingança, e nem mesmo o medo iria desviá-la do seu objetivo. Quando chegou diante da pesada porta dos aposentos de Cersei suspirou medindo suas chances do ataque ser bem sucedido. O elemento surpresa ela já tinha, agora precisava ser rápida e forte. Girou a aldabra devagar e entrou. 

Cersei estava apoiada no parapeito da janela olhando para a escuridão lá fora totalmente abstraída do que estava por acontecer. Arya aproximou-se determinada e confiante, com a raiva rasgando seu coração já em pedaços e se anunciou.
- Rainha Cersei, com a sua licença. Vim trazer uma mensagem com os cumprimentos de meu pai.
Cersei girou deparando-se com ela, e um sorriso torto de desagrado surgiu em sua face. Antes mesmo que conseguisse pronunciar o que beirava em seus lábios, Arya atacou afundando o aço valiriano em seu peito com a força de um cavaleiro de batalha.
Os olhos de Cersei esbugalharam de incredulidade diante da espada cravada em seu peito, e numa última torção do aço, Arya finalizou dizendo.
- Ele manda dizer que a espera no inferno. 


Ps.: Alguns significados:

- Seteira = Abertura estreita nos muros das fortificações por onde se disparam setas, ou, no meu caso, frestas para dar luz e ar a um aposento.

- Agulha = É o nome que Arya escolheu  para a espada que Jon Snow (seu irmão bastardo) lhe deu. É uma espada fina e leve, forjada em aço valiriano especialmente para ela.

- Aldabra = Peça de ferro normalmente em forma oval colocada em portas e/ou janelas. 

- Aço Valiriano = É um metal mágico inventado na Valíria e é usado para fazer armas de incomparável qualidade. As laminas de Aço Valiriano são mais leves, mais fortes e mais afiadas que as melhores armas de aço normal. Faz parte somente do mundo criado por George R. R. Martin. nas Crônicas de Gelo e Fogo.

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Desafio para Inimigos Noturnos

Posted by PatyDeuner on 28 de dezembro de 2012 09:39
Então Nanda,

vou fazer um desafio de frase dessas vez ok?

1- O dia se fez noite num piscar de olhos.
2- Ela começou a ficar enlouquecida e temeu que não houvesse mais tempo.
3- -Vá para o inferno seu maldito!
4- -Tenho que matá-la para salvar você.
5- Acordou com gosto de sangue na boca, e percebeu que ela havia sumido. 

Esperando ansiosa!

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Desafio de Aniversário do Blog by Nanda Cris

Posted by Nanda Cris on 07:35 in ,
As palavras que a Denize me deu foram: Carrossel - magia - acordei - almas - pedregulho

O livro que eu escolhi para continuar contando foi o Deslembrança. A sinopse dele é a seguinte:

Toda noite, quando London Lane recosta a cabeça no travesseiro e dorme, cada mínimo detalhe do dia que viveu desaparece de sua memória. Pela manhã, restam-lhe apenas lembranças do futuro: pessoas e acontecimentos que ainda estão por vir. Para conseguir manter uma rotina minimamente normal, London escreve bilhetes para si própria e recorre à sempre fiel melhor amiga. Já acostumada a tudo isso, ela tenta encarar a perda de memória mais como uma fatalidade que como uma limitação. Mas, quando imagens perturbadoras começam a surgir em suas lembranças e London precisa, de algum modo, escapar delas, fica claro que para entender o presente e o futuro ela terá que decifrar o que ficou esquecido no passado.

Óbvio que tem um menino fofo que a entende e a acolhe com a sua "deficiência", cujo nome é Luke.
Sem mais delongas, vamos à minha estória.


London acordou e se espreguiçou. Sentiu alguém abraçando-a por trás. Opa. Algo estava errado. Muito. Errado.
Esticou a mão, tateando o criado mudo freneticamente na penumbra do quarto. Seu coração batia descompassado ao ritmo do carrossel de suas emoções tempestuosas.
- Quem é esse sujeito me agarrando??? - pensava freneticamente.
Pegou a folha de papel e tentou ler discretamente. Não sabia se ele era algum tipo de maníaco que teria um surto psicótico se ela saísse da cama para se aproximar da janela. Não deu certo.
- Ok, sem pânico. Preciso de um plano B. - ela pensou.
Pegou fôlego e começou a gritar, a plenos pulmões:
- Mããããããeeeeeeeeeeee, me acode aquiiiiiiiiii!!!!!!!!
Gritava enquanto o chutava e pulava da cama, tudo ao mesmo tempo. Conseguiu colocar a cama entre eles e olhava freneticamente em volta, procurando algo para bater nele, caso se aproximasse novamente. Parecia que seu coração ia explodir e que tinha um pedregulho imenso e pesado em seu estômago.
- Calma London, está tudo bem. - ele dizia numa voz tranquilizadora. - Nós somos namorados há 3 anos já.
- Você está querendo me convencer que eu acordei e simplesmente não me lembro de você?
- Mas você normalmente não lembra...
- Não me venha com essa! - Ela cortou, sentindo-se extremamente brava - Se estamos juntos há 3 anos, eu gosto de você o suficiente para lembrar, não?
- Bem... infelizmente, não. - Ela sentiu uma tristeza profunda na voz dele - abra as cortinas, London, e olhe em volta.
Ela o fez e ficou estupefata.  Haviam fotos e mais fotos suas com o tal cara desconhecido. Encarou-o. Aqueles olhos castanhos, aquele cabelo levemente despenteado, aquela boca... sentiu um calor. Ela estava quase se lembrando dele, mas quando a recordação estava quase ali, ela fugia como uma criança traquinas.
- Posso me aproximar?
- Para que?
- Para te ajudar a lembrar?
- Ok... - ela estava muito desconfiada, mas também muito curiosa.
Ele fez movimentos lentos e se aproximou, até seus corpos estavam grudados em um forte abraço. Ele beijou-a e flashes de vários beijos que eles já tinham dado ao longo dos anos, pipocaram em sua mente, como que por magia. Sentia-se completa novamente. Ao final do beijo ela comentou, com um sorriso bobo nos lábios:
- Me lembro de você...
- Claro que você se lembra, todo dia se lembra de mim. Só precisa de um pequeno estímulo - e então ele deu aquele sorriso torto, que só ele sabia dar - mas eu não reclamo de te ajudar a lembrar não, até gosto...
- Deixa de ser convencido!
- Eu não sou convencido, estou apenas me baseando num fato. Somos almas gêmeas, bebê.
E dizendo isso, arrastou-a para a cama para recordar mais alguns fatos, só por desencargo de consciência.



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Desafio de Ano Novo

Posted by Nanda Cris on 07:30 in ,
Crianças, vamos fazer um desafio para comemorar este ano de 2013 que se inicia???
A idéia é fazermos um desafio do tempo e do espaço onde o tempo seja Réveillon e o espaço seja este aqui:

As grades da prisão eram desgastadas por tantas mãos que passaram por ali ao longo do tempo, alisando-as. No canto, uma latrina sem tampa exalava um cheiro não muito agradável. Uma pequena janela deixava entrar as luzes dos fogos que pipocavam ao longe. Haviam 2 catres no cubículo, ambos demonstrando sinais de estarem ocupados. Ao longo do corredor várias celas, todas ocupadas. No final deste, uma sala de guardas, onde era possível ver uma parte da televisão com a Globo passando a queima de fogos em Copacabana. Além disso, também era possível ver uma poltrona e o topo da cabeça de alguém.

A ideia seria todo mundo que topasse, fazer um texto partindo de uma mesma diretriz, para ver o que sai de cada uma dessas cabecinhas.

Quem topar, coloca no comentário que topou, por favor.
É aquele velho esquema de sempre, não tem prazo.



Escritores, gonna escrever!

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DL 2013 - Desafio Literário 2013 - by Sammy Freitas

Posted by Samantha Freitas on 27 de dezembro de 2012 09:00 in , , ,
Resolvi aceitar o Convite de nossa amiga Nanda e participar do Desafio Literário 2013..


Como ela já explicou, o Desafio Literário é uma gincana de leitura anual que se inicia no dia 1º de Janeiro de 2103 e termina no dia 31 de Dezembro de 2013. Para completar o Desafio Literário, basta ler, no mínimo, 12 livros durante o ano, de acordo com o tema do mês, e fazer uma resenha. 

Minhas escolhas:

Janeiro - Tema Livre  - Leitura OK!
- Resolvi pegar o tema do Clube do Livro - Leitores Vorazes: A culpa é das estrelas - Leia a resenha aqui!


Fevereiro - Livros que nos façam rir - Leitura OK!
- Sushi - Marian Keyes  - Leia a resenha aqui!

Março - Animais protagonistas - Leitura OK!
- Dewey - um gato entre livros - Leia a resenha aqui!

Abril - Uma ou mais das quatro estações no título - Leitura OK!
- O Inverno das Fadas - Carolina Munhóz  - Leia a resenha aqui!

Maio - Livros citados em filmes - Leitura OK!
- O Amor nos Tempos do Cólera (citado em Escrito nas Estrelas)
Leia a resenha aqui!

Junho - Romance Psicológico - Leitura OK!
- O morro dos ventos uivantes - Leia a resenha aqui!

Julho - Cor ou cores no título - Leitura OK!
- O Cavaleiro negro - Leia a resenha aqui!

Agosto - Vingança - Leitura OK!
- Assassin's Creed - Renascença

Setembro - Autores Portugueses - Leitura OK!
- Ensaio sobre a cegueira

Outubro - Histórias de superação - Leitura OK!
- O Castelo de Vidro

Novembro - Livros que foram banidos - Lendo!
- O Senhor das Moscas ou A casa dos espíritos (ou os dois, porque não??)

Dezembro - Natal - Leitura OK!
- Feliz Natal, Alex Cross!

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Desafio de Natal by Patydeuner

Posted by PatyDeuner on 26 de dezembro de 2012 08:00

Minhas frases do desafio de natal:

- Espere e verá! 
- Tudo saiu como o planejado? 
- Ele já está morto, mamãe... 
Corri, corri, corri, mas não cheguei a tempo... 
- Já é hora da ceia crianças.

                      
Trabalharia até as 18:00 horas. Pegaria um táxi até o shopping para chegar mais rápido. O trânsito estaria um caos é claro, e levaria um bom tempo para chegar lá. E o táxi parado no trânsito ficaria uma pequena fortuna...pensando bem podia ir de ônibus mesmo. Provavelmente levaria o mesmo tempo, e economizaria o dinheiro. Ele foi burro o suficiente pra deixar a compra do presente de natal dela para o último dia, então pagaria o preço.

O escritório estava um burburinho só nessa véspera de natal. Todos praticamente fingiam trabalhar esperando a hora de sair. O maldito chefe não liberou ninguém mais cedo, e o resultado era esse, nada de produtivo saia dali.
Da sua ilha de trabalho podia ouvir as várias conversas afiadas e nada profissionais. Ao seu lado Mônica dizia descontente.
- Ele já está morto, mamãe...pare de chorar.
Ela uma vez havia confidenciado a ele que todo ano era assim. Sua mãe lamentava a ausência de seu pai na noite de natal, e isso já persistia há 20 anos. Pobre garota.
- E então Mônica. Quer que eu seja o seu “papai Noel” essa noite?
Ouviu Fred, seu colega de trabalho mais mulherengo e chato tentar pela quinquagésima vez sair com ela. Pobre garota.

17:45 e todos já estavam a postos para uma retirada rápida. Como se fosse uma corrida para alcançar um prêmio. As mulheres retocavam o batom já com as bolsas penduradas nos ombros e os homens apenas batiam o pé, ansiosos com a espera.
- E a Melissa, João?
Assustou-se com 
Fred mostrando seu carão por cima de seu Box de trabalho.. 
- O que tem ela?
- Ora, é o primeiro natal de vocês dois juntos. Vai dar algo especial pra ela?
- Claro. Vou comprar agora.
- Posso ir com você. Também preciso comprar algo pra minha mãe e...
- Não mesmo Fred. Estou com muita pressa. Preciso estar na casa dela às 21:00.
Ele fez uma cara de decepcionado. Mas também, quem mandou ser tão chato? Não era de se admirar que sempre era dispensado dos encontros.

18:00
A correria foi de impressionar. E claro que o elevador lotou e teve que esperar o próximo. Mas não se inquietou. Daria tempo.

Depois de quase uma hora dentro do ônibus chegou finalmente ao seu destino. O shopping estava lotado e observou que praticamente 80% dos clientes que passavam por ali eram homens. Somente homens deixam os presentes para a última hora. Incluindo ele. Pensou frustrado.
Queria dar a ela uma joia. Surpreendê-la era seu objetivo. Tinha conhecido-a há pouco mais de três meses, mas sabia que era o amor de sua vida. Com a joia pediria sua mão hoje. Melissa era tudo o que tinha sonhado e a queria para sempre.
Rindo com o pensamento entrou na loja decidido. Daria um anel de brilhante a ela. Mesmo que levasse a vida toda para pagar.
A jovem moça veio até ele toda sorrisos enquanto ele observava a maravilhosa peça exposta na vitrine. Um anel rebuscado como uma peça antiga, meio medieval. Uma imensa pedra brilhava em seu centro. Um diamante. A vendedora viu o ávido interesse dele e foi logo jogando toda a sua qualidade de vendedora.
- É maravilhoso não é?
- Sim! Ele disse meio distraído imaginando os longos dedos de Melissa com o anel.
- E ela é uma garota especial não é?
- Sim!
- Então vai levá-lo. Ela ficará radiante com esse maravilhoso presente!
- Sim...não! Quer dizer...quanto custa?
Saiu daquele transe idiota e olhou pra vendedora que ainda exibia um sorriso tentador.
- Ah! Isso não importa muito. Venha. Vamos olhá-lo de perto.
Ela colocou a bandeja de veludo negro na sua frente com o anel brilhando sobre ele.
- É realmente lindo!
-Sua mulher ficará encantada ao receber um presente assim. Essa joia pode ser dela agora mesmo por apenas R$ 18.000,00.
- O que?
- Pode dividir de 24 vezes senhor! Ela merece não e?
- Sim mas...
Começou a suar frio com a menção do preço exorbitante.
- Preciso de algo mais módico..você sabe...ela tem os dedos finos e pequenos. Talvez uma pedra um pouco menor....
-Sim. Eu entendo senhor.
A vendedora fez aquela cara de decepção e fechou a caixa preta na cara dele. Abriu uma nova caixa com vários outros modelos insignificantes perto da primeira joia mostrada.
- Aqui está. Talvez um desses modelos sirva.
Ele sentiu o desgosto na voz da mulher mas não se importou. Pousou os olhos pelos anéis, achando todos um pouco sem graça depois do modelo que cobiçara.
- Todos esses modelos variam de R$ 5.000,00 à R$ 10.000,00 senhor.
Olhou para a vendedora com os olhos um pouco arregalados demais diante da revelação dos preços.
Ela levantou suas sobrancelhas e com a cara mais entediada ainda fechou a caixa de supetão, quase prendendo seus dedos nela, e puxou uma terceira caixa com apenas um modelo dentro dela.
-Aqui está. Esse é o modelo que o senhor estava procurando. Tenho certeza.
Ela disse meio bufando já.
Ele olhou para peça miúda no interior. O aro era tão fino que sumia dentro do veludo. E a pedra parecia...bem...teve que chegar bem perto, quase roçando o nariz no veludo da caixa.
-Quer uma lupa senhor?
- Não, não...e quanto é esse?
- R$ 2.400,00 senhor.
Ela disse com aquele ar de desinteresse olhando para as unhas. Parecia querer lixá-las enquanto fazia a venda.
- Perfeito! É mesmo lindo não é? Um brilhante!
- Claro que sim senhor.

Saiu do shopping desesperado com a hora. Depois de mais 40 minutos para negociar e fazer o maldito cartão de crédito aceitar dividir de 24 vezes sua compra, tinha apenas 20 minutos para chegar a casa dela. Agora teria que pegar um táxi. “Droga! Não vai dar tempo!”
Já dentro do táxi, resolveu ligar para avisar que chegaria logo.
-Alô?
- Oi Melissa, sou eu.
- Está chegando? Minha mãe gosta que tudo seja pontual.
Ela disse meio sussurrando para que ninguém ouvisse.
- Bem...tenho uma surpresa pra você.
- O que é?
- Espere e verá!
Pelo telefone ouviu a sogra gritar ao fundo.
- Já é hora da ceia crianças! Melissa! Saia desse telefone! Aquele irresponsável está atrasado sabia?
- Sinto muito Melissa...ainda devo demorar um pouco pra chegar.
- Tudo bem. Vamos sobreviver a isso.
O tom dela era conciliador mas definitivamente triste. Ele iria reverter isso quando chegasse.

Quem abriu a porta foi a sogra, com uma carranca descontente.
- Está atrasado João. Já estamos ceando.
-Ah...hummm...corri, corri, corri, mas não cheguei a tempo minha sogra, mas....
-Minha sogra?
Entrou rápido antes que ela continuasse o interrogatório e parou na frente de sua amada. Respirou fundo tirando a pequena caixa do bolso e oferecendo a ela.
- Melissa...eu amo você. Você é a pessoa mais importante da minha vida. Quer se casar comigo?

O que transcorreu em seguida é melhor nem mencionar. A sogra fez um show é claro. E os irmãos da Melissa romperam em palmas e gritos. Mas o mais importante foi a emoção que viu nos olhos dela.
- Tudo saiu como planejado? Com certeza não. Pensou frustrado.
Mas o sim emocionado dela com olhos marejados ele guardaria para sempre. E o anel...bem...
- É o mais lindo que já vi na vida!
Ela disse sorrindo e beijando-o profundamente, como se mais ninguém estivesse ali.

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Desafio de Natal by Sammy Freitas

Posted by Samantha Freitas on 25 de dezembro de 2012 09:00 in , ,

Pela primeira vez na vida, Maria não tinha montado sua árvore de natal. O desânimo de fim de ano, tantos problemas acumulados e para piorar aquela piada maia relacionada ao fim do mundo, para quê montar a árvore ou se preocupar com o natal se o mundo acabaria... 
Pois é... mas não acabou. E as compras ficaram para última hora, ajustes, enfeites, véspera de natal e ela corria contra o tempo.
Chamou seus dois filhos mais novos e lhes deu uma tarefa aparentemente simples: A montagem da árvore.

Quando os meninos terminaram ela gritou para eles:

- Acendam as luzes de natal, por favor. Quero ver como a árvore ficou...
  
Pedro e Luís brigavam por tudo. Já previa que essa decoração daria em confusão, mesmo assim, não havia tempo a perder. Então, continuou na cozinha preparando a ceia quando enfim ouviu a briga. Luís, jazia com o nariz sangrando enquanto Pedro, o menor batia sem piedade.


- Parem essa briga agora - gritou separando os meninos - O que ele fez para você? Luís, o que está acontecendo?

Luís limpou o suor da testa, se preparando para continuar batendo enquanto Pedro gritava: 
- Me bater não vai mudar nada, Papai Noel não existe mesmo!

Maria sempre teve receio do dia em que seus filhinhos perderiam a inocência típica das crianças com aquela que provavelmente seria a primeira grande decepção que sofreriam. Pedro tinha 8 e Luís, 11. Já era hora disso acontecer, mas ainda assim ficou surpresa. Não era cedo demais para as crianças deixarem de acreditar em Papai Noel? Tentou se lembrar quando deixou de acreditar... Devia ter uns... doze anos...

Respirou fundo e preparou-se psicologicamente para as perguntas que viriam a seguir.

- O que está acontecendo aqui? Crianças, porquê estão brigando desta vez?

Luís, magoadíssimo explicou:
- Mamãe... Pedro disse que Papai Noel não existe. É verdade isso? Eu acredito em você, porque adultos não mentem... Diga, mamãe... Papai Noel existe?

Maria não gostava de mentir para os filhos. E sempre prezou por dar explicações coerentes e lógicas, porém, Papai Noel, era uma rara exceção às mentiras que ela se permitia a eles. Dessa vez, não poderia mentir mais. Desligou o fogão e chamou as crianças. 

- Bem meninos... A verdade... é que... Bom.. Vocês sabem só de uma parte da história. Papai Noel existe sim, mas não dessa maneira tradicional que vocês estão acostumados a ver. Na verdade, São Nicolau, aquele que deu o nome ao Papai Noel, nasceu há muitos séculos atrás, por volta de 3 d.C. na Grécia. Ele era muito rico e quando seus pais morreram aos 19 anos, ele resolveu seguir uma vida religiosa. Reza a lenda, que na cidade onde nasceu, viviam três irmãs que não podiam se casar por não terem o dinheiro para o dote. O dote, meus filhos, era uma espécie de taxa que o pai pagava ao noivo para casar com suas filhas. Sendo assim, como o pai era muito pobre, ele resolveu vender as filhas quando chegassem à idade adulta.

Os meninos se mexerem assustados. Já pensou se a mamãe resolvesse vendê-los???

Maria, continuou a história, mesmo sabendo que eles não entenderiam ainda parte dela. 

- E então, quando a primeira filha atingiu a maioridade e ia ser vendida, Nicolau soube do que estava acontecendo e, em segredo, jogou através da janela uma bolsa cheia de moedas de ouro, que foi cair exatamente numa meia, posta para secar na chaminé. A mesma coisa aconteceu quando chegou à vez da segunda. O pai das meninas, ficou muito intrigado e para descobrir o que estava acontecendo, permaneceu espiando a noite toda quando chegou a época da terceira filha fazer 18 anos. Firmou a vista e disse para as meninas: 

- Esperem, ele está bem ali!

Ele então reconheceu Nicolau, e ficou tão agradecido, que pregou sua generosidade a todo o mundo. 

- Mas mamãe, o que essa história tem a ver com o 'nosso' Papai Noel que costumava nos dar brinquedos?

Maria fez um carinho nos meninos, que nem se lembravam da briga e agora estavam interessadíssimos na história...

- E aí, lá pelo século 13 dC, São Nicolau já tinha morrido há muito tempo, mesmo ganhou a fama de bom velhinho e sua figura era lembrada como um bispo montado num burro e carregando brinquedos feitos por ele nas horas vagas durante o ano. A distribuição de brinquedos costumava acontecer no dia 6/12, porém, a Igreja Católica, resolveu em uma Convenção juntar a comemoração de São Nicolau com o nascimento de Cristo. Hoje em dia, o mundo mudou muito. Por isso, a maioria dos pais, resolveu assumir o compromisso de São Nicolau e distribuir a seus filhos no Natal brinquedos. 

Os dois meninos ficaram quietos. Não sabiam se ficavam tristes por Papai Noel não existir, ou pelo sacrifício que sabiam que sua mãe fazia em dois empregos para poder lhes dar presentes todos os anos... 

Maria levantou-se e ia voltar a cozinhar, quando Luís disse:

- Mamãe, eu ainda não entendi uma coisa. Você disse que Papai Noel ainda existia, mas se ele morreu há tanto tempo, porque você disse isso?

Maria sorriu e disse com delicadeza:

- Papai Noel pode não existir mais fisicamente, filho, mas a sua bondade e o espírito de Natal, sempre vão existir e permanecer em nossos corações...

Agora, vão se arrumar que estamos atrasados para a festa de natal do orfanato.
Os meninos correram para tomar banho e se preparar para a festa que a mãe proporcionava todos os anos. 

Chegaram atrasados no orfanato e ouviram às vozes infantis... O coral começou a cantar naquele momento as músicas favoritas de natal dos meninos. 

Empolgados, participaram ativamente da grande festa de amor. Papai Noel realmente podia até não existir, mas aquela magia, não ia acabar nunca...






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Desafio de Natal by Nanda Cris

Posted by Nanda Cris on 24 de dezembro de 2012 08:00 in , ,


- Mãe, seja sincera, ok? Papai Noel existe mesmo?
- Você quer a verdade, minha filha?
- Sim, mamãe, já sou crescida!
- Está bem, meu amor. Não, ele não existe.
- Mas todo ano ele vem à nossa casa, mamãe.
- Não espere que papai-noel venha... Não o de verdade pelo menos, minha filha! Aquele é o seu pai, que se veste como se fosse o bom velhinho, apenas para manter a magia do Natal.
Eu olhava para minha mãe incrédula. Como assim Papai Noel era mentira? Todos aqueles anos... flashes pipocavam, e então tudo ficou claro em minha mente: realmente eu já havia notado uma grande semelhança entre o Noel e meu pai.
Fui para meu quarto e me tranquei lá. Minha irmãzinha veio bater à porta, perguntando se podia ajudar. Não, aquela dor era só minha. Ela ainda podia acreditar, porque não tinha sido estúpida o suficiente para indagar quando não queria saber a resposta.
Suspirei, chorei e me lamentei. Mas a verdade não podia ser apagada da memória. E eu tinha que enfrentá-la. Mas como ver meu pai hoje à noite, vestido de Papai Noel e fingir entusiasmo? Controlar o choro?

Aquele final de tarde passou arrastado, minha irmãzinha toda feliz e eu cabisbaixa. Todos comendo e eu sem apetite. E os ponteiros iam cada vez chegando mais perto da meia noite. Logo seria a pior parte, sentar no colo do meu pai, fingindo que estava tudo certo enquanto ele perguntava se eu tinha sido uma boa menina, e ia soltando hohohos esporádicos. Estava me afundando em autopiedade, quando o relógio badalou os doze toques da meia-noite. Minha irmãzinha estava na janela e saiu gritando em direção à porta:
- Corram, ele está vindo!
Corri, o que mais poderia fazer? Eu e meus primos disparamos lá para fora.  Ao vê-lo, fiquei estática. Aquilo eram renas? E um trenó? Papai havia se superado aquele ano! Gostaria de ainda poder acreditar naquilo tudo. Mas agora, parecia apenas ridículo.
Senti alguém puxando minha saia, e lá estava minha irmãzinha, com os olhos brilhando.
- Vamos ajudá-lo? - olhando para aquele rosto inocente, não pude negar.
- Vamos, mana, vamos sim. Eu pego o saco, e você pega a bengala, está bem?
- Certo!
E lá fomos nós, de mãos dadas. O entusiasmo daquela pequena era contagiante. Me peguei sorrindo.

Sentamos todos na sala, as crianças amontoadas em volta do Papai Noel e eu mais afastada, encostada numa parede, ao lado da minha mãe. Encarava tudo com desinteresse até que a ouvi falar:
- Ué?
Mirei para onde ela estava olhando e vi meu pai parado no batente da porta de entrada, com uma roupa de Papai Noel meio enxovalhada e uma expressão de espanto no rosto. Gaguejei diante da situação.
- Ma... mas mãe, se aquele ali é o papai, quem é aquele no meio da sala distribuindo presentes?
- Aquele só pode ser... o Papai Noel de verdade!
- Mas você falou...
- Minha filha, regra número um: os adultos também se enganam!




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